Decisão ocorre em meio a desdobramentos da Operação Heritage; deputado federal nega envolvimento e retoma projeto para a Câmara
O governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), afirmou que anunciará ainda nesta terça-feira (11) o novo nome que ocupará a vaga de vice-governador em sua chapa. A declaração foi feita pela manhã, logo após o deputado federal Fábio Garcia (União) renunciar oficialmente à posição na majoritária.
Questionado se o substituto já estaria definido pela coligação, Pivetta garantiu celeridade na decisão:
“Até hoje, no final do dia, vai sair o nome da nova… da nova pessoa. Vai sair até o final do dia o nome da nova pessoa”, declarou o governador.
A saída de Fábio Garcia e a Operação Heritage
A mudança de última hora na chapa ocorre poucos dias após Fábio Garcia ter seu nome associado à Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal (PF).
Fábio havia sido o nome escolhido para a vice após uma intensa disputa interna no União Brasil. Na convenção partidária, a ala apoiada pelo ex-governador Mauro Mendes derrotou o grupo do senador Jayme Campos por 30 votos a 19, garantindo que a Federação União Progressista apoiasse Pivetta e fizesse a indicação do vice.
Contudo, os desdobramentos da ação policial levaram o grupo a reavaliar a estratégia eleitoral durante uma reunião recente:
- A investigação: A PF apura possíveis irregularidades em um acordo financeiro superior a R$ 308 milhões, firmado entre o Governo do Estado de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi. O ex-governador Mauro Mendes, principal fiador da indicação de Fábio, também foi atingido pelas investigações.
- Pressão política: Enquanto uma parte dos aliados defendia a manutenção de Garcia na chapa, outra ala avaliou que mantê-lo atrairia forte desgaste e exporia a campanha governista a ataques constantes sobre o caso.
- A defesa de Fábio: O deputado nega veementemente qualquer envolvimento em atos ilícitos. Ele ressalta que não houve mandados de busca e apreensão em seus endereços, argumenta que não há nenhum ato administrativo de sua autoria relacionado ao acordo investigado e acusa adversários de usarem o caso de forma indevida.
Com o recuo da chapa majoritária, Fábio Garcia confirmou que tentará renovar o seu mandato na Câmara dos Deputados em Brasília.
Medidas Cautelares do STF
O cenário político do grupo também encontra dificuldades de articulação. Por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), os investigados na Operação Heritage estão submetidos a medidas cautelares, o que inclui a proibição de contato entre determinadas pessoas.
A restrição não gera inelegibilidade nem impede que candidaturas sejam registradas, mas tem o potencial de interferir e dificultar a coordenação da campanha entre os principais caciques da aliança. Agora, a base do governo corre contra o tempo para preencher o espaço deixado na chapa até o fim desta terça-feira.


