Cidades DESTAQUE 3

Operação da Havanna no Brasil entra em recuperação extrajudicial para renegociar dívidas do grupo controlador

A operação brasileira da tradicional rede argentina de cafeterias Havanna entrou com um pedido de recuperação extrajudicial. O processo, que tramita na 1ª Vara Regional de Competência Empresarial de São Paulo, envolve seis empresas controladas pelo empresário Marcos Rothenberg e busca reestruturar as dívidas do grupo.

Apesar do processo judiciário, a documentação aponta que a administradora das franquias da marca (DGA Doces Del Plata) e a responsável pelas lojas (Café Del Plata) não enfrentam uma crise econômica própria e seguem com as atividades “em constante ascensão”.

Por que a Havanna foi incluída no pedido?

De acordo com o grupo, a recuperação extrajudicial tornou-se uma “medida de rigor” para a Havanna por dois motivos principais:

  1. Efeito Cascata (Avalista): A Café Del Plata está interligada às demais companhias do grupo e atua como avalista das obrigações assumidas por essas empresas.
  2. Pedido de Falência: A empresa foi alvo de um pedido de falência movido pela fabricante de chocolates Top Cau devido a notas fiscais não pagas que somam mais de R$ 4,1 milhões.

A origem da crise: A principal empresa afetada pelo endividamento é a Fragrance, marca de perfumes pertencente ao mesmo grupo, que possui mais de 90% de suas unidades em shoppings. O grupo contraiu dívidas durante a pandemia, quando a taxa Selic estava abaixo de 3%. Com a disparada dos juros para mais de 12% nos anos seguintes, o custo dessas obrigações tornou-se insustentável.

Como vai funcionar o plano de recuperação?

A proposta de reestruturação já foi apresentada à Justiça e prevê condições severas para a maioria dos credores (chamados de credores concursais):

  • Deságio de 95%: Os credores receberão apenas 5% dos valores devidos.
  • Prazo e Correção: O pagamento será feito após um período de carência de 12 meses, dividido em 10 parcelas anuais, corrigidas pela Taxa Referencial (TR) + 1% ao ano.
  • Exceções: Credores parceiros ou que injetarem novos recursos na empresa (via financiamento DIP) receberão os valores integralmente (CDI + 9% ao ano). O grupo espera captar até R$ 2,5 milhões nessa modalidade.

Entre os maiores credores estão o Explorer Fundo de Investimento (R$ 45,8 milhões) e a EDEC Comércio de Perfumes (R$ 16 milhões).

Havanna projeta chegar a 700 lojas até 2030

Em nota, a Havanna reforçou que o processo visa garantir que as obrigações solidárias não afetem a capacidade operacional da rede de cafeterias nem seus compromissos com franqueados e fornecedores.

A marca destacou que seu negócio segue em “franca expansão”:

  • Abertura de mais de 30 novas operações apenas no primeiro semestre de 2026.
  • Meta de ultrapassar 700 pontos de venda no Brasil até 2030.
  • Lançamento da Heladeria Havanna em 2025 (focada em sorvetes de doce de leite) e expansão da distribuição no varejo supermercadista.

Atualmente, o Brasil possui mais de 250 unidades da Havanna, consolidando-se como a segunda maior operação da marca no mundo, atrás apenas da matriz argentina. Em 2025, o faturamento do grupo no país foi de aproximadamente R$ 420 milhões.

Lucas Bellinello

About Author

Deixar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Você também pode se interessar

Cidades

Fifa confirma e Valcke não vem ao Brasil no dia 12

 Na visita, Valcke iria a três estádios da Copa: Arena Pernambuco, na segunda-feira, Estádio Nacional Mané Garrincha, na terça, e
Cidades

Brasileiros usam 15 bi de sacolas plásticas por ano

Dar uma destinação adequada a essas sacolas e incentivar o uso das chamadas ecobags tem sido prioridade em muitos países.