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Defesa de Carlinhos Bezerra pede afastamento de juíza, mas magistrada rejeita suspeição e mantém júri

A defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, protocolou um pedido no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para afastar a juíza Mônica Perri da condução do seu julgamento. O réu é acusado pelo duplo homicídio de sua ex-companheira, Thays Machado, e do então namorado dela, Willian Moreno, ocorrido em janeiro de 2023.

O imbróglio começou após o júri ser interrompido no último dia 21 de julho, quando os advogados de defesa abandonaram o plenário alegando falta de acesso integral aos autos, cerceamento de defesa e suposta quebra na cadeia de custódia das provas.

O argumento da defesa

O pedido de suspeição, assinado pelo advogado Elson Marcelino da Silva Junior, argumentou que a magistrada comprometeu sua imparcialidade ao afirmar, durante a sessão, que existiriam provas suficientes para sustentar uma condenação.

A defesa também reclamou do tempo escasso para analisar milhares de páginas liberadas às vésperas do júri e pediu a suspensão do processo e a substituição da juíza.

“Com a máxima vênia, essa afirmação ultrapassa completamente os limites da atividade jurisdicional esperada do juiz-presidente. Não lhe competia, naquele momento, aferir a força persuasiva das provas, muito menos afirmar que elas seriam suficientes para sustentar uma futura condenação”, argumentou o advogado na petição.

A resposta da juíza: citação distorcida

Na última sexta-feira (24), no mesmo dia em que o pedido foi protocolado, a juíza Mônica Perri rejeitou a alegação de suspeição e decidiu permanecer à frente do caso.

A magistrada esclareceu que a frase questionada pelos advogados não era uma opinião pessoal ou uma antecipação de julgamento, mas sim a leitura direta da ementa de um precedente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ela utilizou a jurisprudência para fundamentar sua decisão ao afastar a tese da defesa de que as provas estariam comprometidas (quebra de cadeia de custódia) devido a mensagens trocadas nos celulares das vítimas após o crime.

“A defesa, ao dissociar a expressão do precedente do qual foi extraída e atribuí-la como manifestação pessoal desta Magistrada sobre a suficiência da prova acusatória no caso concreto, confere-lhe sentido diverso daquele efetivamente empregado, o que não condiz com o teor da decisão nem com a boa-fé processual”, cravou Perri.

Ela reforçou que a citação do STJ serviu exclusivamente para tratar da questão processual da preclusão, sem entrar no mérito da culpa ou inocência do réu.

Próximos passos e bastidores do crime

Com a rejeição do pedido, a juíza manteve o Tribunal do Júri marcado para o dia 31 de julho de 2026, às 9h. A Defensoria Pública segue nomeada para atuar de forma subsidiária caso a defesa abandone o plenário novamente, embora o réu mantenha o direito de constituir novos advogados. A data só será alterada se o TJMT decidir intervir e acolher o pedido de suspeição.

Relembre o caso:

  • A data: O duplo homicídio ocorreu em 18 de janeiro de 2023, em frente ao edifício Solar Monet, em Cuiabá.
  • A dinâmica: Thays Machado e Willian Moreno aguardavam um carro de aplicativo quando Carlinhos Bezerra se aproximou em um veículo e efetuou diversos disparos com uma pistola calibre .380.
  • O motivo: Segundo o Ministério Público, o crime foi motivado por vingança pelo fim do relacionamento, ocorrido um mês antes. O réu mantinha um comportamento possessivo e monitorava a rotina da ex-companheira, configurando violência doméstica e feminicídio.

Lucas Bellinello

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