A corrida pela Presidência da República enfrenta um gargalo decisivo nos bastidores: a montagem dos palanques estaduais. Com o calendário eleitoral avançando, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) correm contra o tempo para resolver pendências em colégios eleitorais estratégicos antes da abertura oficial das convenções partidárias, que ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto.
Mais do que escolher candidatos aos governos, as alianças regionais garantem capilaridade, tempo de propaganda e estrutura de mobilização para a disputa nacional.
O nó estratégico de Minas Gerais
O principal ponto de interrogação para os dois grupos está em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país e tradicional termômetro das eleições presidenciais. Nenhum dos lados conseguiu consolidar um palanque definitivo no estado.
No campo governista, a tentativa de construir uma candidatura competitiva passou pelo nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB), mas a articulação naufragou. Com a desistência de Pacheco, o PT voltou a discutir soluções caseiras e avalia lançar nomes como os deputados federais Rogério Correia ou Reginaldo Lopes.
A indefinição mineira é espelhada no PL. A legenda conservadora ainda busca um nome para a disputa ao Palácio Tiradentes e monitora a viabilidade de uma candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que ainda não confirmou se aceita o desafio.
Flávio Bolsonaro acumula pendências
Enquanto o PT concentra esforços para destravar Minas Gerais, o articulador da campanha do PL, Flávio Bolsonaro, administra uma lista maior de estados sem acordos fechados, incluindo Amapá, Pernambuco, Alagoas e Maranhão.
No Maranhão, o cenário é considerado o mais hostil para o PL devido à força histórica do grupo ligado a Lula na região. Já em Pernambuco e Alagoas, o partido enfrenta o isolamento político e corre o risco de não conseguir estruturar coligações amplas para a disputa estadual.
Acordos encaminhados e fogo amigo
Apesar das travas, algumas alianças começam a tomar forma. No Espírito Santo, o PL deve fechar apoio à candidatura do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), consolidando uma composição com a legenda aliada.
Por outro lado, o desenho das alianças tem provocado faíscas internas no campo bolsonarista. No Ceará, o rumor de um possível apoio a Ciro Gomes (PSDB) gerou forte reação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que criticou publicamente a negociação de bastidores conduzida pela cúpula do partido.


