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Prefeita de Várzea Grande retira projetos de R$ 39 milhões para tentar ampliar poder sobre o orçamento

A Prefeitura de Várzea Grande iniciou uma nova manobra política para ampliar sua autonomia sobre as contas do município em 2026. Antes de levar o tema à Câmara, a prefeita Flávia Moretti (PL) retirou propostas que previam cerca de R$ 39,1 milhões em suplementações para diferentes setores da administração.

A movimentação ocorreu enquanto o Executivo articula a aprovação de uma mudança na regra orçamentária que permitiria aumentar o limite de abertura de créditos suplementares por decreto. A intenção da gestão é saltar dos atuais 5% para 20% do orçamento autorizado.

Mais liberdade e menos votações

Na prática, a alteração daria à prefeitura maior liberdade para remanejar recursos entre áreas sem precisar encaminhar cada ajuste para aprovação do Legislativo. A administração municipal defende que a medida é necessária para garantir mais agilidade na execução de serviços e no atendimento das demandas da população.

Os projetos que foram retirados de pauta pela prefeita envolviam recursos destinados a setores considerados estratégicos, como mobilidade urbana, serviços públicos, meio ambiente e saúde. Entre as previsões de gastos estavam investimentos em transporte público, manutenção urbana, coleta de resíduos, compra de materiais e custeio da rede municipal.

A retirada das propostas foi formalizada por Flávia Moretti junto à Câmara Municipal antes do início da análise dos textos pelos vereadores. O procedimento é permitido pelo Regimento Interno da Casa para projetos de autoria do próprio Executivo.

Pressão por sessão extraordinária

Agora, a atenção se volta integralmente para a proposta que altera o percentual da suplementação orçamentária. O pedido de convocação de uma sessão extraordinária já foi encaminhado ao presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), que ainda avalia a realização da reunião.

Ao defender a mudança de regra, a prefeita argumenta que o limite atual de 5% engessa a capacidade da prefeitura de ajustar o orçamento ao longo do ano, principalmente diante de novas necessidades administrativas urgentes.

A ampliação do percentual, no entanto, depende da aprovação dos vereadores, que irão analisar os argumentos do Executivo antes de decidir se autorizam a alteração na forma de movimentação dos recursos públicos.

Lucas Bellinello

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