Uma ação integrada entre as polícias civis de Mato Grosso e do Rio Grande do Norte, com apoio da Polícia Federal, resultou na prisão de Aluísio Farias Batista, de 68 anos, condenado pela Tragédia do Baldo, um dos episódios mais marcantes da história de Natal (RN). Foragido há mais de quatro décadas, ele foi localizado em uma residência no bairro Jardim Presidente I, em Cuiabá, onde vivia discretamente utilizando documentos falsos em nome de uma pessoa já falecida e havia constituído uma nova família.
A localização do condenado foi possível após troca de informações entre a Polícia Civil do Rio Grande do Norte e a Gerência Estadual de Polinter e Capturas da Polícia Civil de Mato Grosso. As investigações envolveram semanas de levantamentos realizados pelo Núcleo de Inteligência, análises por reconhecimento facial e diligências em campo. O trabalho contou ainda com o apoio da Politec e das diretorias de Habilitação e de Veículos do Detran-MT, que auxiliaram na confirmação da identidade do foragido antes do cumprimento do mandado de prisão.
Aluísio foi condenado a 21 anos de prisão por 19 homicídios em razão da Tragédia do Baldo, ocorrida durante o Carnaval de 1984. Na ocasião, ele conduzia um ônibus que transportava integrantes de uma escola de samba quando perdeu o controle do veículo e atingiu em alta velocidade os foliões do bloco Puxa-Saco, na Avenida Rio Branco, em Natal. O atropelamento deixou 19 mortos e dezenas de feridos, entre eles cinco sargentos da Polícia Militar e o neto do então senador Dinarte Mariz, levando o governo potiguar a decretar luto oficial de três dias.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público à época, o motorista dirigia em alta velocidade após um desentendimento com passageiros dentro do ônibus. Durante o trajeto, o veículo colidiu com um Volkswagen Fusca estacionado, perdeu a trajetória e invadiu o percurso do bloco carnavalesco, atropelando os foliões por cerca de 86 metros. A perícia posteriormente constatou que o sistema de freios do ônibus estava em perfeitas condições de funcionamento. Após o acidente, Aluísio fugiu do local, prestou depoimento e desapareceu, permanecendo foragido por mais de 40 anos.
Em depoimentos prestados ao longo da investigação, Aluísio alegou que havia encerrado sua jornada de trabalho e foi convocado para realizar uma viagem extra durante a madrugada. Segundo sua versão, ao desviar de um veículo na região do Baldo, encontrou outra escola de samba na pista e não conseguiu evitar o atropelamento. A condenação foi proferida à revelia em 2009 e, desde então, ele era considerado um dos foragidos mais antigos do Rio Grande do Norte.
Após a prisão, Aluísio foi encaminhado à Gerência Estadual de Polinter e Capturas para os procedimentos legais e colocado à disposição da Justiça. A delegada Silvia Maria Pauluzzi de Siqueira destacou que a captura demonstra a importância da integração entre os órgãos de segurança pública. Segundo ela, o fortalecimento do Núcleo de Inteligência ampliou a capacidade de pesquisa, análise de dados e apoio às equipes operacionais, permitindo a localização de foragidos da Justiça mesmo após décadas de ocultação.


