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Paula Calil usa sessão da Câmara para defender irmão alvo da Operação Gemini e classifica investigação como “perseguição política”

Presidente da Câmara de Cuiabá diz confiar na inocência de Faissal e atribui operação ao período pré-eleitoral; deputado não declarou à Justiça Eleitoral apartamento adquirido em conjunto com desembargador investigado.

A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), usou a sessão parlamentar desta terça-feira (9) para defender o irmão, o deputado estadual Faissal Calil (PL), alvo da Operação Gemini deflagrada pela Polícia Federal na véspera. Paula classificou a investigação como possível perseguição política e disse confiar na inocência do parlamentar.

“Nós estamos em um período de pré-campanha, onde os deputados estão buscando sua reeleição, e situações como essas, perseguições políticas como essas, podem sim acontecer. Todo político está suscetível, mas eu confio com muita tranquilidade também que tudo será esclarecido, na inocência do deputado Faissal”, afirmou da mesa da Presidência, ressaltando que falava “não como presidente, mas como irmã”.

A Operação Gemini é desdobramento das investigações sobre suposto esquema de venda de sentenças e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Faissal trabalhou como assessor de gabinete do desembargador afastado Dirceu dos Santos entre 2017 e 2018. A Polícia Federal obteve mensagens trocadas entre o deputado e o advogado Roberto Zampieri — assassinado em dezembro de 2023 — sobre processo de reintegração de posse em Cláudia, a 620 km de Cuiabá. Nas mensagens, Zampieri garantiu a Faissal que a decisão de Dirceu seria exatamente o que haviam combinado, dois dias antes de o magistrado proferir sentença favorável a uma empresa madeireira — contrariando todas as decisões anteriores da primeira instância.

O desembargador Dirceu dos Santos está afastado do TJMT desde março por determinação do CNJ, sob suspeita de trocar decisões judiciais por vantagens indevidas. Seu patrimônio é avaliado em mais de R$ 16 milhões, incompatível com os rendimentos da magistratura. Entre seus bens consta um apartamento de R$ 1 milhão no edifício Vila Real, no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá, adquirido “por permuta” em conjunto com Faissal Calil — imóvel que o deputado não incluiu em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral.

Lucas Bellinello

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