Parlamentar tucano alega que enxurrada de acusações contra a Seduc não reflete falhas estruturais, mas sim estratégia de adversários na corrida pelo governo
O deputado estadual Carlos Avallone (PSDB) saiu em defesa do Palácio Paiaguás e tentou reduzir o peso da onda de investigações que atingiu a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) recentemente. Para o parlamentar tucano, a avalanche de denúncias não indica um colapso estrutural na pasta, mas sim um movimento político natural e previsível provocado pelo acirramento do calendário eleitoral.
Durante a declaração, Avallone aproveitou para reiterar o alinhamento de seu partido à atual gestão e o apoio ao projeto político de Otaviano Pivetta, pré-candidato ao governo de Mato Grosso.
“Esse governo está aí há sete anos e meio. A pasta de Educação teve pouquíssimas denúncias. Aí chega no período eleitoral, tem um monte de denúncias, todas têm que ser investigadas, mas eu não vejo como um lugar que teve grandes problemas”, avaliou o deputado durante coletiva de imprensa na última semana.
O cerco dos órgãos de fiscalização
O discurso de blindagem ocorre no exato momento em que a secretaria lida com o escrutínio de duas frentes distintas de apurações promovidas por órgãos de controle do estado:
- TCE (Superfaturamento): O Tribunal de Contas do Estado instaurou uma auditoria para investigar suspeitas de compras com preços inflacionados. As aquisições que estão sob a lupa dos conselheiros foram ordenadas pelo ex-secretário da pasta, Amauri Monge.
- MP-MT (Fraudes e Assédio): Em outra via, o Ministério Público de Mato Grosso investiga um pacote de denúncias formalizadas pelo Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep). A entidade sindical acusa a gestão de praticar assédio moral, manter defasagem salarial e supostamente maquiar o lançamento de notas escolares.
“Faz parte do processo político”
Ao comentar as queixas levantadas pelo Sintep, Avallone fez questão de separar os problemas puramente administrativos — que ele admite já terem ocorrido ao longo dos anos, embora em menor escala — das denúncias de corrupção que ganharam as manchetes agora.
Para ilustrar sua tese de que o período de campanha funciona como um ímã para acusações, o deputado usou a Secretaria de Infraestrutura e Logística (Sinfra) como exemplo paralelo. Ele pontuou que a área de obras, antes elogiada de forma quase unânime, também passou a sofrer bombardeio de críticas à medida que a eleição se aproximou.
“Faz parte do processo eleitoral, os adversários vão criar denúncias, e talvez algumas delas sejam comprovadas”, ponderou Avallone, frisando que o próprio governador tem exigido que não haja impunidade e que tudo seja passado a limpo. “Denúncia é uma coisa que não vai deixar de acontecer. Agora vai ter muita denúncia mesmo e tem que correr atrás”, arrematou o parlamentar.


