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Polícia Civil indicia Deolane Bezerra, Marcola e mais quatro pessoas na Operação Vérnix

Investigação sobre lavagem de dinheiro e ocultação de bens ligados à cúpula do PCC foi concluída; polícia solicita ampliação de bloqueio de ativos financeiras e compartilhamento de dados com a PF

A Polícia Civil de São Paulo concluiu o indiciamento de seis pessoas investigadas no âmbito da Operação Vérnix, que apura um esquema estruturado de lavagem de dinheiro e ocultação de bens de origem ilícita ligado à liderança da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os indiciados formais consta a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, que foi presa preventivamente no decorrer das diligências deflagradas no último dia 21.

O relatório policial também indiciou Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, apontado como o principal chefe da organização criminosa, além de seus familiares e operadores logísticos: Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Everton de Souza (conhecido pelas alcunhas de “Player” ou “Gordão”) e o contador Eduardo Afonso Rodrigues. Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais, cujas penas somadas podem ultrapassar 20 anos de reclusão em caso de condenação judicial.

A engenharia financeira desarticulada pelos investigadores paulistas consistia na utilização sistemática de empresas de fachada e pessoas interpostas (“laranjas”) para integrar recursos do tráfico ao mercado formal. O fluxo de capitais era mascarado por meio da aquisição de imóveis de luxo, frotas de veículos de alto valor, joias e relógios de marcas exclusivas. Diante do volume de ativos identificados, a Polícia Civil peticionou ao Poder Judiciário o sequestro de bens móveis e imóveis, a ampliação do bloqueio de contas bancárias dos envolvidos e o compartilhamento integral das provas com a Polícia Federal.

Cronologia e evolução da Operação Vérnix:

  • Origem (2019): A investigação teve início a partir da apreensão de bilhetes, planilhas e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, presídio que abrigava a cúpula da facção antes das transferências para o sistema federal.
  • Mapeamento: A análise dos relatórios de inteligência financeira e a quebra de sigilos bancários permitiram rastrear os lançamentos contábeis fraudulentos e identificar a atuação do contador e dos familiares de Marcola na blindagem do patrimônio.
  • Apreensões e Fase Atual: Com as prisões executadas no dia 21 de maio, os agentes arrecadaram provas documentais adicionais. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) ressaltou que o inquérito permanece aberto e que novos desdobramentos e mandados podem ser ativados com base na auditoria do material confiscado.

Os autos do indiciamento serão remetidos ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), que avaliará a abertura de denúncia criminal. Ao longo do rito processual na Justiça de São Paulo, todos os indiciados terão assegurados os direitos constitucionais à ampla defesa e ao contraditório.

Lucas Bellinello

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