Medida do Departamento de Estado passa a valer em junho e baseia-se em ordem executiva de Donald Trump; anúncio repercute no cenário político brasileiro
O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quinta-feira (28), que incluirá formalmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). De acordo com o comunicado oficial emitido pelo Departamento de Estado norte-americano, a classificação jurídica entrará em vigor a partir do dia 5 de junho, logo após a publicação oficial no Federal Register.
A decisão fundamenta-se nos critérios estabelecidos pela Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e cumpre as diretrizes de uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump. No documento divulgado, o secretário de Estado, Marco Rubio, classificou o CV e o PCC como duas das organizações transnacionais mais violentas em atividade na América do Sul. Rubio enfatizou o elevado contingente de integrantes das facções e o histórico de atentados armados perpetrados contra agentes de segurança, autoridades públicas e populações civis, além da capilaridade logística das redes de narcotráfico fora das fronteiras brasileiras.
O anúncio atua diretamente no debate político no Brasil. A resolução norte-americana foi precedida por agendas diplomáticas e articulações em Washington. Neste mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu agenda oficial nos Estados Unidos e debateu com Donald Trump mecanismos de cooperação bilateral voltados ao asfixiamento financeiro e bloqueio de ativos de cartéis internacionais, embora tenha ressaltado que os casos específicos do PCC e do CV não integraram o escopo direto daquela reunião presidencial.
Por outro lado, o posicionamento de Washington consolida-se após reuniões bilaterais mantidas por Marco Rubio e Donald Trump com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A comitiva parlamentar em solo norte-americano contou ainda com a participação do irmão do senador, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside nos Estados Unidos e atua na interlocução entre alas partidárias e movimentos conservadores das duas nações.



