O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o controle público e a soberania nacional sobre as reservas de terras raras e minerais críticos no país. Durante evento em Campinas (SP), o petista destacou que o Brasil está aberto a parcerias internacionais sem distinção ou preferências por blocos específicos, sinalizando que espera uma postura de cooperação por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Apelo à cooperação global e soberania
Em seu discurso, Lula mencionou diretamente o cenário de tensões geopolíticas e comerciais globais e sugeriu uma alternativa focada em investimentos em solo brasileiro:
- Fim das disputas: O presidente declarou esperar que Donald Trump deixe de brigar com o líder chinês, Xi Jinping, e passe a se associar ao Brasil para a exploração desses recursos.
- Sem vetos de mercado: O petista reforçou que o país aceita aportes de investidores americanos, chineses, alemães, franceses ou japoneses, desde que a soberania nacional seja preservada.
- Industrialização interna: A estratégia central do governo é garantir que o processamento e a cadeia produtiva desses minerais ocorram dentro do território brasileiro, gerando emprego, tecnologia e renda, em vez de manter o modelo puramente exportador de matéria-prima bruta.
O potencial brasileiro e o monopólio da China
As terras raras e os minerais críticos possuem alto valor estratégico para a indústria global por serem insumos fundamentais na fabricação de tecnologias de ponta, incluindo microchips de celulares, computadores, mísseis, turbinas eólicas e equipamentos médicos de alta complexidade.
O cenário de mercado atual revela um forte descompasso entre o potencial mineral do Brasil e sua participação real:
- Reservas mundiais: O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do planeta, com 23% do total global, ficando atrás apenas da China, que concentra 49%.
- Participação de mercado: Apesar do vasto potencial geológico, o Brasil responde por apenas 1% do mercado global de fornecimento. A China historicamente domina o setor e chegou a centralizar 95% do comércio global em 2010, o que motiva os Estados Unidos a buscarem novas fontes de fornecimento para reduzir essa dependência.
Inauguração no Sirius e fomento à saúde
Os comentários de Lula ocorreram durante a inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron no acelerador de partículas Sirius, complexo localizado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.
- Supermicroscópio: O Sirius funciona como uma estrutura de altíssima tecnologia capaz de analisar materiais em escala atômica. As novas linhas vão ampliar pesquisas em semicondutores, agricultura, clima e novas matrizes energéticas, ajudando cientistas no mapeamento eficiente do solo nacional.
- Inovação em Saúde: Na mesma cerimônia, o governo federal lançou a pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde. A iniciativa visa utilizar a estrutura científica nacional para criar biossensores, dispositivos médicos e novos métodos de diagnóstico voltados para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).


