Mato Grosso deu início nesta semana de abril de 2026 a um projeto ambicioso para enfrentar um de seus maiores desafios de saúde pública: a liderança nacional em casos de hanseníase. O ponto de partida foi Várzea Grande, onde mais de 80 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) participaram de uma capacitação intensiva na Assembleia Legislativa (ALMT), focada em transformar a busca ativa em uma ferramenta de cura e dignidade.
A Estratégia do Território
O projeto, idealizado pela Frente Parlamentar de Enfrentamento à Hanseníase e presidido pelo deputado Dr. João, entende que o Agente Comunitário é a peça-chave. Como esses profissionais entram nas casas e conhecem a rotina das famílias, eles são os primeiros capazes de notar os sinais iniciais da doença, que muitas vezes passam despercebidos pelo próprio paciente.
Sinais de Alerta e Diagnóstico Precoce
Durante o treinamento, os profissionais foram instruídos a focar em:
Manchas Suspeitas: Alterações de cor na pele que não coçam e não doem.
Perda de Sensibilidade: Áreas onde o paciente não sente calor, frio ou dor (o teste do algodão e da agulha).
Dormência e Fraqueza: Comprometimento de nervos periféricos, especialmente em mãos e pés.
Para a enfermeira Adriana Matos, a identificação precoce é um divisor de águas. “O agente está dentro das casas. Ao identificar uma mancha suspeita, ganhamos tempo precioso para interromper a transmissão e evitar sequelas irreversíveis”, destacou.
Combatendo o Estigma e o Abandono
Um dos maiores obstáculos em Mato Grosso não é a falta de remédios — o tratamento é 100% gratuito pelo SUS — mas o preconceito. A coordenadora da Vigilância Epidemiológica da SES, Janaína Pauli, alertou que muitos pacientes escondem a doença por vergonha ou abandonam o tratamento ao sentirem as primeiras melhoras.
“Capacitação é essencial para quem está na ponta. Ajuda a reduzir o preconceito que ainda existe e melhora a orientação aos pacientes”, relatou a agente Mariazinha da Silva, refletindo o sentimento da categoria.
Próximos Passos
A meta do Dr. João é levar essa qualificação aos 142 municípios de Mato Grosso. O projeto piloto de Várzea Grande servirá de régua para a rede estadual. O objetivo é claro: transformar Mato Grosso, que hoje é referência em diagnóstico justamente por “procurar o caso”, em um estado referência em eliminação da transmissão.
A mensagem para a população em 2026 é direta: a hanseníase tem cura, o tratamento é simples e o Agente de Saúde é o melhor amigo do paciente nessa jornada.



