A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá deu um passo crucial para fechar o quebra-cabeça da morte de uma adolescente de 17 anos, ocorrida em 11 de março de 2026. A prisão de Mariane Mara da Silva, esposa de Marcos Pereira Soares (irmão da vítima), coloca o crime sob uma nova e terrível perspectiva: a de que houve uma colaboração doméstica para a execução da violência.
A Estratégia do Disfarce
Mariane não foi considerada suspeita imediatamente. Segundo a Polícia Civil, ela chegou a prestar depoimento oficial no início das investigações, agindo como alguém alheio ao crime. No entanto, o avanço da perícia e os depoimentos colhidos pela equipe do delegado Caio Albuquerque revelaram que ela “concorreu para a morte da cunhada”. Na linguagem jurídica, isso significa que ela pode ter ajudado no planejamento, na execução ou na garantia de que o crime ocorresse sem interrupções.
O Contexto da Falha Institucional
Um detalhe que eleva a indignação pública é o status de Marcos Pereira Soares. Ele havia sido solto apenas quatro dias antes do crime devido a uma falha no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Livre por um erro burocrático, ele teria atraído a irmã para sua casa com a desculpa de discutirem assuntos familiares. Foi nesse ambiente, onde morava com a agora presa Mariane, que a adolescente sofreu violência sexual e foi assassinada.
A Perícia nos Endereços
Nesta quinta-feira (26), além da prisão temporária de Mariane, a PJC realizou buscas em dois endereços ligados a ela. O objetivo é encontrar:
- Vestígios biológicos da vítima nas residências;
- Materiais usados para amarrar as pedras ao corpo (encontrado no Córrego Vassouro);
- Provas digitais ou mensagens que comprovem a combinação entre o casal.
Status Jurídico dos Suspeitos
Atualmente, ambos seguem detidos. Marcos Pereira Soares continua negando a autoria, apesar de ter sido preso em flagrante em uma área de matagal logo após o encontro do corpo. Mariane está sob custódia temporária, o que permite à Polícia Civil aprofundar as investigações sem que haja risco de destruição de provas ou coação de testemunhas.
A tragédia do Córrego do Três Barras deixa de ser “apenas” um caso de violência fratricida para se tornar um exemplo assustador de como o círculo de confiança de uma adolescente pode ser o seu maior perigo.


