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Mauro Mendes classifica gestão federal como “insustentável”

O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), subiu o tom em relação à condução da economia nacional, desenhando um cenário sombrio para as finanças do país. Em uma análise que mistura rigor fiscal com críticas políticas diretas, Mendes classificou o modelo de gestão do Governo Federal como uma “rota de colapso”, baseada em um ciclo vicioso de endividamento que já ultrapassou a marca histórica de R$ 10 trilhões.

A Armadilha da Dívida e o Déficit Crônico

Para o governador, a União opera sob uma lógica que seria fatal para qualquer empresa privada ou ente subnacional: o prejuízo recorrente. Segundo Mendes, o governo federal ignora a necessidade de gerar superávit, preferindo emitir nova dívida para quitar os juros das dívidas anteriores. Essa dinâmica, em sua visão, é o que mantém as taxas de juros em patamares elevados, asfixiando o crescimento real.

O Conflito Federativo: Quem Pode Emitir Dívida?

Mendes estabeleceu uma distinção clara entre as responsabilidades de um governador e as facilidades de um presidente. Enquanto a União pode “empurrar o problema para frente” emitindo títulos da dívida, estados e municípios vivem sob a realidade do caixa imediato.

  • Resistência ao ICMS: O governador criticou a pressão para que estados reduzam o ICMS sem que o governo federal faça sua parte no corte de gastos.
  • Desoneração de PIS/COFINS: Ele se posicionou contra medidas que reduzem a arrecadação federal de forma populista, sem que haja uma reforma estrutural nas despesas da seguridade e do diesel.

Populismo e a Escala 6×1

Ao abordar temas trabalhistas, como a PEC que visa extinguir a escala 6×1, o governador foi contundente ao associar o debate ao período eleitoral. Mendes classificou a proposta como uma “medida populista” que não sobrevive à lógica da produtividade.

“O PT está propondo trabalhar menos. Isso não funciona. Se você não consegue pagar as contas da sua casa, você não aceitaria trabalhar menos para ganhar menos”, comparou, sugerindo que a conta final dessa “mágica” será paga pelo próprio trabalhador via inflação ou desemprego.

O diagnóstico de Mauro Mendes em 2026 reforça sua imagem de gestor focado em resultados técnicos, colocando-o em rota de colisão ideológica com Brasília ao defender que a responsabilidade fiscal não é uma escolha política, mas uma necessidade matemática para evitar a quebra do país. No fechamento de sua fala, o governador reiterou que o cidadão brasileiro é quem acaba “pagando a conta” pelos desacertos de uma gestão que opta pelo populismo em detrimento da sustentabilidade.

Lucas Bellinello

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