A política de Mato Grosso entrou em rota de colisão frontal. De um lado, o governador Mauro Mendes, presidente estadual do União Brasil, que aposta todas as suas fichas na continuidade técnica representada pelo vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Do outro, o senador Jayme Campos, ícone da política tradicional mato-grossense, que reivindica seu direito de disputar o governo pelo próprio partido.
A Estratégia do “Preparo”
Mauro Mendes não tem usado eufemismos. Sua defesa de Pivetta é baseada em um indicador de desempenho administrativo. Ao citar os três mandatos de Pivetta em Lucas do Rio Verde, Mendes tenta transformar a eleição de 2026 em um plebiscito sobre eficiência. Para o governador, a sucessão não é uma questão de “vez” ou de “homenagem política”, mas de quem possui o know-how para gerir a máquina pública estadual que ele mesmo saneou.
O Xadrez da Convenção
A fala de Mendes — “vamos disputar voto a voto” — transfere a batalha para os bastidores da convenção partidária. Este é o órgão máximo de decisão, e em 2026 ele será composto por 60 integrantes com perfis variados. A matemática aqui é complexa: embora Mendes seja o presidente e possua a caneta do Estado, os Campos detêm uma influência histórica sobre delegados municipais e parlamentares de base.
A Ameaça da Via Nacional
A reação de Júlio Campos introduz um elemento de instabilidade jurídica. Ao sugerir que pode recorrer ao diretório nacional do União Brasil, o deputado sinaliza que a ala “camponista” não aceitará ser atropelada pela vontade individual do governador. A tese é de que um partido do tamanho do União Brasil não pode abrir mão de uma candidatura própria ao governo (Jayme) para apoiar um nome de outra sigla (Pivetta, do Republicanos).
O Senado como Peça de Troca
Mendes ofereceu publicamente a Jayme a candidatura ao Senado. Na visão do governador, este seria o cenário ideal: Jayme mantém seu prestígio em Brasília, e o grupo mantém a coesão no Paiaguás com Pivetta. Contudo, Jayme Campos parece ter decidido que 2026 é o ano de retornar ao Executivo.
O impasse no União Brasil mato-grossense deixa de ser uma mera divergência de nomes e passa a ser uma luta pelo controle da narrativa de gestão. Se Mauro Mendes conseguir emplacar Pivetta, ele consolida seu grupo como uma força técnica dominante. Se Jayme vencer a convenção (ou Brasília intervir), a política tradicional de Mato Grosso provará que ainda detém as chaves das decisões partidárias, independentemente de quem ocupa a cadeira de governador.


