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Britney Spears vendeu direitos de todas as suas músicas? O que isso significa?

Os fãs de Britney Spears foram surpreendidos na última terça-feira, 10, por uma notícia que movimentou o mercado da música internacional. De acordo com a BBC, a artista teria vendido os direitos de seu catálogo musical para a editora norte-americana Primary Wave.

Ainda não há confirmação oficial por parte da cantora ou da empresa, e os termos do contrato permanecem sob confidencialidade.

O que foi vendido, afinal?

Segundo a BBC, o acordo foi fechado em 30 de dezembro de 2025 e é descrito por fontes como “histórico”. Embora o valor exato não tenha sido divulgado, publicações norte-americanas estimam que a cifra possa chegar a cerca de 200 milhões de dólares (cerca de R$ 1 bilhão na cotação atual) montante semelhante ao recebido por Justin Bieber ao vender seu catálogo em 2023.

A negociação envolveria a participação de Britney nos direitos de suas músicas, o que pode incluir direitos autorais de composição e/ou publicação. Entre as faixas contempladas estariam sucessos que marcaram gerações, como: Baby One More Time, Gimme More, Circus, entre outros hits. Essas canções seguem sendo parte do repertório da artista, mas a administração e monetização passam a ser responsabilidade da nova detentora dos direitos.

O que muda na prática?

Nos Estados Unidos, quando um artista vende seu catálogo, ele troca receitas futuras provenientes de streaming, execuções públicas, sincronizações em filmes, séries e campanhas publicitárias por um pagamento imediato e substancial.

Na prática, isso significa:

– O artista recebe uma quantia alta de uma só vez.
– A empresa compradora passa a administrar e explorar comercialmente as músicas.
– O cantor continua podendo interpretar seus próprios sucessos em shows.
– Parte dos royalties futuros passa a ter outro destinatário.

Segundo André Morrissy, advogado especialista em propriedade intelectual e COO da produtora GR6, é importante esclarecer que, na maioria dos casos, o que está sendo negociado não é necessariamente a “propriedade total” das músicas, mas os porcentuais de royalties que o artista detém. “Na grande maioria das operações, a negociação gira em torno dos royalties que o artista tem em seu nome, e não da aquisição integral do fonograma ou da obra”, explica. Isso significa que, se houver coautores, editora ou gravadora envolvida, o artista não tem poder para negociar 100% dos direitos sozinho, apenas a parcela que lhe cabe contratualmente.

O especialista também destaca que o artista segue podendo cantar suas músicas normalmente. “O que muda é que, em vez de receber mensalmente os royalties pelo consumo das faixas, ele antecipa esse valor e recebe tudo de uma vez.” Para ele, trata-se de uma estratégia financeira que pode ser vantajosa ao reduzir riscos de queda no consumo futuro, o chamado decay, e permitir que o artista capitalize imediatamente. Ao mesmo tempo, Morrissy ressalta que nem toda venda garante à empresa compradora liberdade total para explorar as músicas em filmes ou campanhas publicitárias. “Isso depende do tipo de contrato firmado. Se a aquisição for apenas de royalties, o comprador passa a receber a receita, mas não necessariamente adquire poder absoluto de administração da obra.”

Tendência entre grandes nomes

Britney não é a primeira estrela a optar por esse modelo. Nos últimos anos, artistas como Bob Dylan, Bruce Springsteen, Shakira e Stevie Nicks também venderam seus catálogos.

A própria Primary Wave vem ampliando seu portfólio com nomes de peso e já administra direitos ligados a artistas como Whitney Houston, Bob Marley e Prince.

O movimento reflete uma nova lógica da indústria musical, em que catálogos consolidados são vistos como ativos valiosos e relativamente estáveis, especialmente na era do streaming.

E a carreira de Britney?

Desde o álbum Glory (2016), Britney não lançou um novo projeto de estúdio. Em 2023, participou da faixa Mind Your Business, parceria com Will.i.am. A venda do catálogo acontece em um momento de reestruturação pessoal e profissional da artista, após o fim de sua tutela judicial.

Por enquanto, o que se sabe oficialmente é o que foi reportado pela BBC: o acordo existe, foi fechado no fim de 2025 e representa mais um capítulo na transformação do mercado global de direitos autorais na música pop.

Estadão Conteudo

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