Preocupações com o avanço da inteligência artificial (IA) voltaram a pressionar empresas de informação, software e dados na semana passada, após a Anthropic lançar novos recursos voltados à automação de tarefas jurídicas. O movimento reacendeu temores no mercado sobre a capacidade de grupos tradicionais defenderem seus modelos de negócio diante da concorrência de startups de IA.
A novidade afetou especialmente companhias com forte exposição ao setor jurídico, como RELX e Wolters Kluwer, cujos papéis recuaram de forma acentuada.
Ambas fornecem dados, análises e softwares para escritórios de advocacia e departamentos legais, área diretamente impactada pelas soluções anunciadas pela Anthropic, empresa responsável pelo chatbot Claude – concorrente do ChatGPT, da OpenAI, e do Gemini, da Alphabet.
A startup informou que ampliou as funções legais de seu assistente Cowork, disponível no GitHub – plataforma online usada por desenvolvedores para hospedar e compartilhar código de software.
Assim, usuários podem automatizar atividades como revisão de contratos, triagem de acordos de confidencialidade, fluxos de compliance, elaboração de memoriais jurídicos e respostas padronizadas.
Para investidores e analistas, a iniciativa reforça o risco de que ferramentas de IA passem a substituir serviços historicamente oferecidos por editoras e grupos de informação.
O ING já vinha apontando preocupações com a capacidade da RELX de competir com startups especializadas em IA no segmento jurídico, que representa uma de suas principais divisões.
O pessimismo no mercado financeiro se espalhou para outros papéis considerados vulneráveis aos impactos tecnológicos, incluindo empresas de educação, serviços de crédito e provedores de dados financeiros.
*Com informações da Dow Jones Newswires


