Cidades

CRM pede para população evitar automedicação com hidroxicloroquina e cloroquina

Após o aumento desproporcional na venda de medicamentos com hidroxicloroquina e cloroquina, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) divulgou um comunicado, nesta sexta-feira (20), esclarecendo a população que não há nenhuma recomendação dos órgãos de saúde para a utilização das substâncias em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação da Covid-19. O Conselho ainda pediu para que as pessoas evitassem a automedicação.

Segundo a nota, o Conselho Federal de Medicina solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que os remédios que contenham hidroxicloroquina e cloroquina só sejam comercializados mediante prescrição médica.

O comunicado destaca que a venda sem controle desses tipos de medicamentos poderia afetar a saúde dos pacientes que fazem o uso dos remédios para tratar artrite, lúpus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária.

Medicamento em falta

Mirian Mulh, paciente de atrite reumatoide, diz que procurou o hidroxicloroquina em ao menos 20 farmácias de Cuiabá nesta sexta-feira (20) e não conseguiu sequer amostra.

“A informação que me passaram é de que todos foram vendidos ou recolhidos por hospitais e que a Bayern, indústria produtora do medicamento, não vai produzir para liberar para o varejo. Só encontrei o elemento básico do medicamente e vou mandar manipular”, comentou Mirian.

Ela conhece outras duas pessoas, uma delas também paciente da artrite reumatoide, que estão atrás do medicamento e tiveram a mesma frustração.

“Só eu liguei para umas 20 farmácias hoje, fora o que outras duas pessoas que conhece que também ligaram, me ajudando a tentar a achar o medicamento. Não estava sabendo que o hidroxicloroquina estava sendo usado no tratamento do coronavírus”.

Confira o comunicado na íntegra:

Conscientes da gravidade da situação que o mundo está passando e do papel que podemos exercer como fonte de informação técnica confiável, o CRM-MT esclarece a população em geral e aos profissionais da área da saúde que não há recomendação da ANVISA ou do CFM, até o momento, para a utilização de medicamentos que contêm hidroxicloroquina e cloroquina em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus.

O próprio CFM solicitou à ANVISA, nesta data, que no cenário atual torne obrigatória a prescrição médica para a dispensação e a comercialização dos medicamentos com hidroxicloroquina e cloroquina.

Nas últimas horas, as drogarias registraram um aumento desproporcional na aquisição destes medicamentos e possivelmente esse evento se deve à veiculação de notícias e mensagens de que tais medicamentos podem ser utilizados no combate à contaminação pelo novo coronavírus. 

Como consequência, esses medicamentos já estão faltando para aqueles pacientes que deles precisam no tratamento da artrite, lúpus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária.

Nesse contexto da pandemia do COVID-19 recomendamos aos profissionais médicos que se atenham aos critérios clínicos para a prescrição destes medicamentos.

À população em geral pedimos atenção para que evitem a automedicação e a aquisição e uso de medicamentos contendo a hidroxicloroquina e cloroquina de forma indiscriminada.

O momento pede que pensemos no bem estar coletivo, a aquisição de medicamentos que contenham aquelas substâncias para uso fora das indicações aprovadas pela ANVISA, coloca em risco a saúde das pessoas que os utilizam para tratamento da artrite, lúpus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária. 

Sobre o assunto, recomendamos ainda a leitura da Nota Técnica sobre Cloroquina e Hidroxicloroquina elaborada pela ANVISA.

 

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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