O cabo da Polícia Militar, Gerson Corrêa, entregou ontem (6) aos delegados que comandam as investigações dos grampos telefônicos um dispositivo que teria arquivos que comprovariam as interceptações delatadas por ele à 11ª Vara Criminal Especializada na Justiça Militar há pouco mais de três semanas.
O dispositivo é conhecido como “hard-lock”, equipamento que serve como memória móvel e está geralmente associado à aquisição de programas oficiais de computador. Ele possui um sistema de proteção de restrição de acesso, que necessita de renovação periódica e é geralmente usado, por exemplo, como armazenador alternativo de backup.
O dispositivo foi entregue durante depoimento aos delegados Rafael Mendes Scatolon, Luciana Batista Canaverde e Jannira Laranjeira Siqueira Campos. A Polícia Civil deverá fazer perícia avaliar a autenticidade do dispositivo e de eventuais conteúdos encontrados.
Em seu depoimento ao juiz Marcos Faleiros, o militar voltou a afirmar a versão de que o governador Pedro Taques esteve supostamente envolvido no esquema dos grampos desde o início da operação, em 2014. Disse que as decisões eram tomadas em conjunto com Paulo Taques, primo do ex-governador que veio a ser o chefe da Casa Civil.
Outra polêmica em torno do assunto trata-se das barrigas de aluguel, uma manobra de inclusão de número de telefones de pessoas sem rastro criminal na lista de interceptação. O serviço teria beneficiado membros do Ministério Público do Estado (MPE) na investigação de políticos, como o ex-deputado José Riva (PSD).


