Jurídico

Cabo diz que MP usou manobra para conseguir implicar investigados em casos

O cabo da Polícia Militar, Gerson Correa, disse que membros do Ministério Público do Estado (MPE) foram beneficiados por manobras para a inclusão pessoas no esquema de grampos telefônicos e utilizaram “relatórios fantasiosos” em outros. Ele ouvido nesta quarta-feira (17) pelo juiz da 11ª Vara da Justiça Militar e Custódia, Marcos Faleiros da Silva em nova audiência sobre o caso dos grampos. Esta é a terceira vez.

Um caso seria a rejeição a uma proposta de colaboração premiada com o Ministério Público, em agosto de 2017, porque membros do órgão seriam afetados com a informação que seria repassada.

“Busquei junto ao doutor Alan do Ó, bati na porta do Ministério Público, no intuito de tentar um acordo. No entanto, isso aconteceu durante meu primeiro interrogatório. Interrogatório esse que o promotor à época tratou com muito louvor, dizendo que esclareci fatos da ‘grampolândia’”.

Noutra situação, áudios de conversa entre ex-governador Silval Barbosa (sem partido) e desembargador Marcos Machado teriam sido editados para prejudicar o magistrado. As interceptações feitas seriam de ligações entre os dois logo após a prisão de Roseli Barbosa, em 2015, por indício de participação de fraude na extinta Secitec (Secretaria de Trabalho e Assistência Social). A prisão ocorreu na Operação Imperador.

Logo após a edição os áudios teriam sidos vazados por membros do MP para a TVCA, filiada à Rede Globo, com “viés midiático” do conteúdo. “Os áudios foram moldados à chamada do Fantástico [programa da Globo], que foi ao ar um dia depois da operação e nossas imagens [foram] usadas”.

O cabo Gérson ainda admitiu que tentou proteger os coroneis Evandro Lesco, ex-chefe da Casa Militar, e Zaqueu Barbosa, ex-comandante-geral da PM no Estado, nos primeiros depoimentos. Ele também confirmou a versão de Zaqueu, que em depoimento realizado nesta segunda-feira (15), atribuiu a autoria do esquema ao ex-governador Pedro Taques e ao ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques. 

"Quando eu encontrei com o secretário Paulo Taques,  entendi que se tratava de algo irregular. Desde o início eu disse que o dono não era coronel Lesco, coronel Zaqueu, nem ninguém da Polícia Militar. O dono disso, eu sempre disse, era o ex-governador Pedro Taques, o ex-secretário Paulo Taques", destacou Gérson. 

Redação

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