O coronel da Polícia Militar, Zaque Barbosa, disse que foi procurado pelo ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, em agosto de 2014 com o pedido de escutar, via grampos telefônicos, adversários do então candidato Pedro Taques (PSDB) na campanha ao governo do Estado.
Ele é ouvido na tarde desta terça-feira (16) pela Justiça Militar em nova audiência sobre o caso descoberto em 2017. Além dele, estão agendadas as oitivas de coronel Lesco e o cabo Gerson.
“No ano de 2014, mês de agosto, fui procurado em minha residência, e recebi uma ligação do Paulo Taques. E ele foi até a minha casa e tratou de assuntos de eleição e que naquele momento o que q poderia ser feito a situações que estava ocorrendo dentro do comitê [de campanha]. O assunto inicial era sobre segurança do comitê, e eu propus a conversar com policiais de folga ou férias para fazer a segurança. Depois disso vieram várias outras conversas, geralmente aos domingos e uma dessas idas foi a pedido pelo Paulo [Taques] e o Pedro [Taques] estava junto”.
15h45: Quando trabalhei no Gaeco, sabia que existia duas pessoas q sabiam operar escutas, uma pessoa não estava mais lá, e outra pessoa era o cabo Gerson. Em uma das idas do Pedro e Paulo lá em casa eu falei do programa para escutas, mas que não havia dinheiro para operacionalizar. Aí então eles disseram que isso era fácil resolver.
15h50: Pedi que o Cabo Gerson procurasse um local externo, [para instalação dos equipamentos], pois as placas de escutas tinham restrições poque só funcionava em telefones móveis. Até então o primeiro pedido era para ouvir criminosos, traficantes. Não houve barriga de aluguel.
15h54: Porém no segundo pedido o Paulo me entrega alguns nomes: [jornalista José Marcondes] Muvuca, José Antônio Rosa [advogado do PSDB], Tatiana Sangalli [ex-amante de Paulo Taques] também. E a partir de então que começa a ser inserida as barrigas de aluguel. Eu não conhecia nenhuma dessas pessoas.
15h57: Do Antônio Rosa foi pedido a escuta, pois ele conversava com terceiros, com o senhor Edivá [Alves, ex-presidente do diretório do PSDB em Cuiabá] sobre dinheiro de campanha que ele armazenava em casa, e roubaram a casa do Ediva. O pente-fino estava incumbido de receber dinheiro de campanha, porém não levou dinheiro para ser feita a quitação, ou seja, tinha alguém dentro do comitê passando as informações sobre o dinheiro por isso pediu que se ouvisse o Antônio Rosa.
16h04: Quando eu pedi R$ 12 mil peguei esse dinheiro em mãos no escritório do Paulo Taques em notas de 50 e 100.
16h07: Durante os trabalhos o Gerson me disse que estava ataferado no Gaeco e pediu para eu procurar outras duas pessoas e foi quando eu procurei a Andréa [Pereira de Moura, 3ª sargento da PM] e o [ex-controlador do Estado, Carlos] Dorileo que ouviram somente quem estava fora de condutas. Digo ao senhor aqui que o coronel Mendes foi um pedido do Paulo Taques, no sentido que o Mendes, durante o período de campanha foi trazido pelo Pedro, que quando o [ex-presidente da Assembleia Legislativa, José] Riva era candidato e tinha dentro do escritório um setor de inteligência, o responsável seria o Mendes.
16h10: Dois números foram usados por eles [articuladores da indicação de Janete Riva ao TCE], e em conversa dele [José Riva] com terceiros, estava acordado que a Janete assumirá uma cadeira no Tribunal de Contas e reporto isso ao Pedro e ao Paulo. E o Pedro me disse para que ficar tranquilo que a Janete não assumiria a vaga. Por isso foi pedido para ouvir o coronel Mendes, pois ele comandava o escritório clandestino do Riva.
16h14: Nas vezes que tive no escritório do Paulo, sempre fui atendido pela Caroline [Mariano], e depois soube que ela foi interceptada. Depois eu soube que ela estava estabelecendo um vínculo contratual com Arcanjo, que ela traria as informações e via Muvuca iria atentar contra a vida do Pedro Taques.
16h17: Em certo momento o [coronel Airton] Siqueira me procurou e o [coronel] Lesco também, pois as demandas financeiras era consultadas ao Paulo e nessa demanda aparece o Sistema Sentinela na conversa, que estava sendo desenvolvido e que precisaria de R$ 40 mil para por em prática, e foi dado Ok pelo Paulo.
16h19: E após às escutas, o Sentinela será feito em termo de doação para a Polícia Militar, porém esse aporte não chegou e o Lesco começou a fazer empréstimos. O Siqueira me procurou e eu disse que não tinha como ajudar e mandei eles procurarem o Paulo e assim foi feito. Porém, enquanto o Sentinela estava sendo operacionalizado as escutas ilegais continuavam.
16h21: Sobre a Janaína [Riva] era um pedido do doutor [juiz] Marco Aurélio, pois eles queriam prender o José Riva e não estavam conseguindo. Aí foi pedido pelo Marco Aurélio para interceptar a Janaína.
16h24: Nunca quis ser comandante geral da PM como foi ventilado por alguns que eu tinha feito isso em troca de assumir o comando da PM, jamais foi minha intensão. Eu fui usado. Pq veja o seguinte, as escutas eram de interesse político e parte do Ministério Público também se aproveitou disso porque a Janaína foi ouvida.
16h30: Coronel diz que juntará aos autos do processo dos grampos registro com períodos das chamadas telefônicas para comprovar sua versão em depoimento: "Tudo o que eu disse aqui será juntado nos autos pela minha defesa".