O corte de energia elétrica na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) não atingiu apenas as aulas, pesquisas e projetos, mas também o Restaurante Universitário (R.U) e a moradia de 94 estudantes que vivem nas Casas dos Estudantes Universitários (CEU) da instituição de ensino.
Com a suspensão da energia elétrica na manhã desta terça-feira (16) nos câmpus da UFMT em todo o Estado (Cuiabá, Araguia, Sinop e Rondonópolis), por falta de pagamento de seis contas em atraso, duas das Casas de Estudantes de Cuiabá estão sem energia também.
Na Capital, a UFMT tem a CEU dentro da própria universidade, com alas femininas e masculinas, e uma no bairro Jardim Itália que só tem moradores homens. Essas casas são as moradias de universitários que necessitam de assistência estudantil por conta de vulnerabilidade econômica.
Hélio Carrara Belido Junior, tem 20 anos e é estudante do curso de Engenharia da Computação. Ele conta que na CEU Jardim Itália vivem 30 moradores e a suspensão de energia elétrica, ali, se iniciou na tarde desta terça-feira.
“Com o corte ficamos sem luz na casa, e estamos sem água aqui também devido a água ser advinda de um poço artesiano. Estamos sem condições de ficar dentro de casa, tanto pelo calor, quanto a falta de luz e insetos”.
O universitário demonstra preocupação e desconhecimento de como serão as próximas horas ou dias sem energia elétrica. “Não sabemos como será a noite aqui, pois a casa é bem quente e a Pro reitoria de Assistência Estudantil da UFMT não se pronunciou quanto a isso. Fora que ficaremos sem alimentação, pois o restaurante universitário, onde recebemos isenção, não abrirá devido a falta de energia”.
Hélio explica que a CEU dentro da universidade ficou sem energia elétrica pela manhã, assim como todo o campus. Entre homens e mulheres, ali vivem 64 universitários.
Entenda o caso
Na manhã desta terça-feira (16) foi suspensa a energia elétrica da UFMT, após notificações da Energisa por atraso no pagamento de faturas.
A UFMT confirmou que as dívidas existem e informou que são seis no total. Quatro delas referentes a 2018 e duas delas deste ano.
Cortes na educação ocorrem pelo menos desde 2014, mas o contingenciamento de 30% do orçamento anunciado pelo Ministério da Educação, em 2019, é considerado com drástico pela reitoria da universidade, por agravar ainda mais o orçamento.

Foto: Hélio Carrara Belido Junior