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“A pena para o traficante e o usuário deveria ser a mesma”, opina delegado da DRE

“Na minha visão, o porte de drogas, sendo para o consumo ou para a venda, deveria ser uma pena só, uma pena alta se equiparado ao hediondo”, é o que pensa o delegado titular da Delegacia de Repreensão a Entorpecentes (DRE), Vitor Hugo Bruzulato Teixeira, que está a frente da unidade há nove meses e vêm realizando diversas operações para combater o tráfico na região metropolitana de Cuiabá.

Em conversa exclusiva com o Circuito Mato Grosso, o delegado falou das ações realizadas a frente da DRE, e das parcerias com o poder judiciário e sociedade que têm sido fundamentais no êxito das operações e prisões feitas até o momento.

O delegado que antes de assumir a DRE, estava lotado na Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos Automotores (Derfva) e revelou que o roubo a carros em quase 60% dos casos, está relacionado ao tráfico de drogas.

“Quando eu estava na Derfva e uma operação que deflagramos lá a “Ares Vermelho”, ficou comprovado que 60% dos veículos roubados,  eram utilizados para o transporte da droga, ou até mesmo para comercialização ou troca por entorpecentes, então a gente monitora todas essas ações”, contou.

Vitor Hugo informou que em 2018 foram realizadas 182 prisões de traficantes pela DRE, e somente nos quatro meses de 2019, 124 prisões já foram feitas, e se contar as apreensões de menores, esse número sobe para 136 detidos.

Ainda como titular da DRE, o delegado contou que assumiu a unidade com uma proposta de fazer uma repreensão qualificada contra o tráfico de drogas, “O meu foco aqui é combater o tráfico de drogas em todas as modalidades. Eu dou a mesma importância ao traficante pequeno como o grande, pois o tráfico doméstico, é o que mais incomoda a sociedade e o que mais traz consequências terríveis a população” disse.

Delegado Vitor Hugo Bruzulato

“O tráfico doméstico é o que fomenta os crimes patrimoniais, principalmente os violentos, como roubo e até mesmo o homicídio, então isso incomoda. Quando o cidadão tem uma boca de fumo ao lado da sua casa, isso traz um transtorno muito grande e por isso temos feito uma repreensão qualificada na região metropolitana, cumprindo diariamente mandados de busca e apreensão e tirar de circulação essas pessoas que insistem nessa prática delituosa”, completou.

A Lei de drogas, instituída em 2006, onde o artigo 28 estabelece que ser usuário não é crime, e a pessoa que for pega cometendo tal ato responde a um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), tendo a pena convertida em prestação de serviços a comunidade, medidas educativas entre outras, tem dificultado o trabalho da polícia, mas o delegado relatou que todos os detidos pela unidade, já vinham sendo monitorados e que de fato possuem ligação com o tráfico de drogas.

“Hoje do usuário para o traficante, a linha é tênue, pois às vezes a pessoa vende até mesmo para manter o próprio consumo e vício, então é difícil. Toda a prisão feitas pela DRE com pessoas com drogas, gente já estava investigando, já existia um monitoramento pelos investigadores, com fotos, vídeos e caracterizando o local como sendo ponto de venda de entorpecentes”, explicou.

“Você vai cumprir o mandado, e acha drogas, acha dinheiro trocados característica do tráfico, acha papel filme, pratos com resquícios de drogas, enfim, dependendo da circunstância é tráfico de drogas. Hoje em dia as bocas de fumo não ficam com grande quantidade de drogas, justamente para despistar a polícia e falar que ali não funciona um ponto de tráfico e só tem usuários, mas o que importa para gente é a investigação, tem todo um contexto”, concluiu.

Facção envolvida no tráfico

Vitor Hugo detalhou que ainda por trás do tráfico doméstico, existe uma facção que domina o tráfico na região metropolitana. Desde a época da Derfva, como citada acima na operação Ares Vermelho, vem sendo monitorada a participação da facção nas mais variadas modalidades de crimes, entre elas o tráfico de drogas, visando o lucro do grupo criminoso.

“A facção criminosa atuante aqui, não adianta falar que não existe, pois existe e isso está comprovado, é responsável por grande parte do tráfico na baixada cuiabana e interior. Recentemente fechamos um ponto de venda de drogas deles, que funcionava como uma gerência no bairro Bosque da Saúde e distribuía drogas para pelo menos três bairros de Cuiabá”.

 A ação que o delegado destaca, aconteceu no dia 17 de abril, onde policiais da DRE apreenderam um carregamento de aproximadamente 45 quilos de maconha, além de quatro armas de fogo de uso restrito e mais de R$ 19 mil em dinheiro. O trabalho resultou ainda na prisão de três pessoas envolvidas na ação criminosa.

Os suspeitos, Rapahel Wender da Silva Souza, 19, conhecido como “Mateuzinho”, Walison Henrique Barros, 21, conhecido como “Mussun”, e Thayna Aires Farias, 19, foram autuados em flagrante pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito ou proibido e receptação.

Apreensão ocorrida no Bosque da Saúde – Foto: PJC

“Nós temos monitorado essa facção criminosa e uma hora sabemos que os integrantes vão ser presos, como foi nesse caso. Prendemos os gerentes, onde na estrutura organizacional deles, possuem posição mais avançada, e conseguimos identifica-los”, contou o delegado.

A operação Ares Vermelho citada por Vito Hugo, aconteceu em agosto de 2017, onde foram cumpridas 125 ordens judiciais, sendo 51 mandados de prisão preventiva, 12 conduções coercitivas e 62 buscas e apreensão domiciliar, nos Estados de Mato Grosso, Pará, Rondônia e Mato Grosso do Sul. O balanço da operação foi apresentado pelos delegados coordenadores da operação.

Também foram apreendidos quatro veículos, 113 tabletes de maconha, armas e munições.

Parcerias

O trabalho operacional com êxito, só está sendo possível segundo o delegado por conta de parcerias realizadas, seja com o poder judiciário, Ministério Público (MP), Polícia Militar (PM), Polícia Rodoviária Federal (PRF), agentes penitenciários e sociedade.

“O judiciário com a 9ª Vara e a 13ª Vara, e dois promotores do MP em Cuiabá e Várzea Grande, tem nos apoiado e muito, por isso esse trabalho vem dando certo. Seja na celeridade das análises dos nossos pedidos de buscas e prisão, e até mesmo nas audiências de custódia, onde a maioria dos presos por tráfico, estão tendo as prisões em flagrante, convertidas em preventivas, então só tenho elogios ao judiciário e MP”.

Já com a Polícia Militar, o titular da DRE detalhou que foram realizadas três operações em conjunto este ano, e que levou a prisão de 27 traficantes presos, nas operações Integração I e II e na operação Tiradentes, e que outras operações deste nível devem acontecer no decorrer do ano.

Parcerias com a PRF, Grupo Especial de Fronteira (Gefron), Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e agentes penitenciários também são feitas.

“Estamos com uma parceria com o sistema prisional, para fecharmos o cerco e até mesmo com apoio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) para impedir a entrada de celulares e drogas nas unidades prisionais”.

A sociedade também tem ajudado a Polícia Civil neste trabalho, principalmente na denúncia em relação ao tráfico doméstico, ligando no telefone 197, ou fazendo a denúncia anônima, por meio do aplicativo de mensagens Whatsapp, pelo número (65) 99989-0071, onde as denúncias que chegam são averiguadas e sendo confirmada a veracidade dos fatos, o local vira alvo de mandado de busca e apreensão por parte da DRE.

Para finalizar, Vitor Hugo fez questão de enaltecer o trabalho de sua equipe e da motivação dos policiais que realmente amam o que fazem, mesmo diante de todas as dificuldades encontradas pelo caminho.

“Desde quando eu trabalhei no interior do estado em 2007, ações de combate ao tráfico, você vê redução nos demais índices de criminalidade, isso fica claro, você sente isso. A DRE foi um lugar que eu sempre quis trabalhar para desenvolver o projeto que eu fazia no interior aqui”.

“Estou tendo essa oportunidade agora, e também tem a capacitação dos policiais, a motivação dos policiais, de eles entenderem essa filosofia de trabalho e a equipe  sendo motivada sempre, pois existem várias dificuldades, mas quando fazemos por amor e paixão a nossa atividade e aqui tenho um grupo, que faz a diferença que entendeu a filosofia de trabalho, pois moramos aqui, temos família aqui, e se deixar e for omisso em relação a criminalidade, uma hora vamos perder o controle e nós enquanto policiais podemos mudar o futuro”, detalhou Vitor Hugo.

Ação integrada entre Polícia Civil e Polícia Militar – Foto: Sesp

 

Redação

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