Nacional

Comissão aprova impeachment de Crivella no Rio de Janeiro

A comissão processante da Câmara de Vereadores que analisa o pedido de impeachment do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), votou pelo prosseguimento do processo, em reunião nesta sexta-feira (26). Foram dois votos a um.

O grupo formado por três vereadores viu indícios suficientes para continuar com as investigações, depois de ter acesso às denuncias e à defesa do prefeito.

Votaram a favor o relator Luiz Carlos Ramos Filho (Podemos) e Willian Coelho (MDB). O ex-secretário da Casa Civil, Paulo Messina (PROS), defendeu o arquivamento.

O relator explicou que a decisão dele não é um pré-julgamento e que cabe à comissão somente verificar se há embasamento suficiente na denúncia original para que as investigações continuem.

"Pode-se afirmar que a denúncia não é inepta, com apresentação concatenada e lógica de fatos, anexados documentos que tentam provar supostas irregularidades. São fatos que podem representar a violação de lei".

A partir de agora, depoimentos poderão ser colhidos – inclusive o do prefeito Marcelo Crivella – e começa a fase de instrução do processo.

Para ser aprovado, o impeachment precisa do voto de dois terços da Câmara, ou seja, 34 vereadores. Se aprovado, o relatório o prefeito é afastado do mandato. Se rejeitado, o pedido de impeachment é arquivado.

Próximos passos:

  • 10 de maio – testemunhas de acusação são ouvidas
  • 13 de maio – testemunhas de defesa são ouvidas

O processo tem que ser concluído até 4 de julho, mas a comissão processante não descarta que a votação final no plenário ocorra antes disso.

Ex-secretário da Casa Civil, Paulo Messina (PROS) disse que já havia votado contra a abertura do processo e explicou o motivo de pedir o adiamento do caso.

"Vão ser dois, três meses de investigação e de desgaste político quando nosso instrumento de investigação é uma CPI. Acho ruim", disse Messina.

Messina deixou a secretaria da Casa Civil para votar a favor do prefeito o dia da votação da admissibilidade do processo e foi sorteado para fazer parte da comissão processante.

Pedido de impeachment

A acusação contra Crivella fala em irregularidades no contrato de empresas de publicidade em pontos de ônibus e relógios de rua. O poder público teria renovado o contrato sem previsão e obtido prejuízo de R$ 8,2 milhões.

Crivella nega as acusações e afirma que o aditivo das empresas questionado no pedido de impeachment foi embasado por técnicos.

Recomposição da base

O processo de impeachment foi aberto no dia 2 deste mês. Dois dias depois, Crivella começou a recompor a base aliada. Duas novas secretárias foram criadas e dadas ao PP, que prometeu expulsar vereadores rebeldes.

Qual é a denúncia?

O autor da denúncia é Fernando Lyra Reys, ex-fiscal da Secretaria Municipal de Fazenda. Ele cita suposto crime de responsabilidade de Crivella por renovação de contratos de mobiliários urbanos, em dezembro de 2018. O acordo teria favorecido um consórcio que inclui as empresas OOH Clear Channel e JCDecaux

Segundo o texto, as empresas tinham 20 anos para explorar o serviço e, depois disso, o material passaria a pertencer ao município. A gestão Crivella, no entanto, teria renovado a concessão e causado prejuízos aos cofres públicos.

O ex-servidor público diz que, desde o início do mandato, o prefeito tem "cometido ilegalidades". Reys avalia que, para ter sido renovado o contrato, deveria se realizar uma licitação.

O que dizem as empresas?

A Clear Channel informou que o contrato foi amplamente discutido com a prefeitura e "conduzido de forma totalmente ética e transparentes".

G1 ainda não conseguiu em contato com a JCDecaux.

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Nacional

Comissão indeniza sete mulheres perseguidas pela ditadura

“As mulheres tiveram papel relevante na conquista democrática do país. Foram elas que constituíram os comitês femininos pela anistia, que
Nacional

Jovem do Distrito Federal representa o Brasil em reunião da ONU

Durante o encontro, os embaixadores vão trocar informações, experiências e visões sobre a situação do uso de drogas em seus