A Prefeitura de Cuiabá assumiria dívida de quase R$ 100 milhões em intervenção na Santa Casa da Misericórdia. O valor foi dado pelo presidente do hospital, médico Carlos Coutinho e refere-se a despesas de insumo para trabalhos médicos e contas de energia.
“A prefeitura teria que assumir uma dívida perto de R$ 100 milhões, caso decidisse intervir na Santa Casa. Ela não tem condições de fazer esse tipo de trabalho, porque deixaria o hospital quebrar. Já temos um exemplo disse em Campo Grande (MS), onde o poder público interviu na Casa de Misericórdia e a dívida aumentou ao invés de diminuir”.
Um pedido de intervenção foi protocolado na Justiça pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT) no fim desta semana. Por meio de ação popular, ele quer que a Justiça determine que a Prefeitura de Cuiabá entre imediatamente no hospital para controlar a crise financeira. A situação mantém o filantrópico há mais de duas semanas com as portas fechadas.
Conforme o presidente, a alta de demanda do SUS (Sistema Único de Saúde) e o preço defasado pago pelo Ministério da Saúde por atendimentos é apontado agravamento das contas do hospital. Hoje, ele tem uma demanda de 95% SUS e 5% particular.
“A Santa Casa recebe R$ 15 por consulta para pacientes do SUS; num hospital particular a média é de R$ 400. De cada 100 pacientes nosso, 95 são do SUS. Me explica como essa conta vai fechar?”.
O reflexo diz parece em outras contas. Por exemplo, na de energia elétrica cujo custo mensal hoje está na casa de R$ 100 mil. “A Santa Casa tem o melhor centro cirúrgico de Mato Grosso. Para manter o atendimento ao paciente, precisamos manter vários aparelhos ligados, que geram gasto enorme de energia elétrica”.
Coutinho diz que uma saída para aliviar o saldo em vermelho seria reduzir o desequilíbrio entre demanda e recurso que entra no hospital, capazes de cobrir a manutenção. A diferença na balança também tem atrasado o pagamento de alguns profissionais em quase um ano.
“Estamos conversando com algumas instituições para fazer essa adequação. Queremos que a Santa Casa passe a atender 40% do privado e 60% do SUS. O hospital tem condições de se manter, precisamos estabelecer condições para isso”.



