Cidades

‘Games podem potencializar, mas não tornam pessoas violentas,’ diz psiquiatra

Diversos estudos e especialistas debatem sobre a possibilidade da influência de vídeo games violentos na formação das crianças e adolescentes, além da possível responsabilidade dessa indústria em massacres como o de Suzano (SP) ocorrido neste mês de março. A psiquiatra Luana Frick, de Cuiabá, especialista na infância e adolescência, defende que na verdade são vários fatores que ocasionam o sofrimento no ser humano que por vezes praticam atos criminosos, e que os jogos violentos podem potencializar, mas não tornar uma pessoa violenta.

“Apesar de ser um massacre em Suzano, um crime, a gente não pode se esquecer de que foi uma modalidade de suicídio", aponta a psiquiatra.

Luana explica que quando existem fatores ambientais que causam um sofrimento no indivíduo, ele pode passar a vivenciar mais o que joga. “É como se ele estivesse dentro do próprio jogo. Ele é uma pessoa que responde aquele momento de jogo de uma maneira mais intensa do que outra pessoa que não está tendo um sofrimento”.

Frick diz que a pessoa não copia os jogos, mas os vivencia de outra maneira e que os jogos não são os fatores que desencadeiam a violência e o ato criminoso, assim como o bullying. "São fatores que potencializam o mal estar deles, mas não são especificamente os responsáveis. Se o adolescente já estava com problema e ainda sofre bullying, por exemplo, pode cometer um crime e depois suicídio”.

Segundo a especialista, na psiquiatria são diversos fatores que causam o comportamento violento e que jogos podem influenciar o comportamento das crianças, mas são outros fatores que realmente agravam e influenciam. “A causa da violência está muito mais relacionada ao ambiente familiar do que ver filmes ou vídeo games. Pais alcoólatras, mães depressivas, negligências, abusos, e outras situações levam a criança ou o adolescente a um sofrimento cada vez maior e podem torna-los violentos".

Luana Frick conta que se a criança ou o jovem tiver uma boa convivência familiar a tendência é de que ele lide com os jogos, mesmo que violentos, de uma forma mais tranquila.

“Nos últimos tempos as crianças tê ficado cada vez mais sozinhas, não têm um tempo de qualidade que seria um apoio mais psicológico dos pais ou cuidadores. Isso pode levar a criança a uma maior vulnerabilidade, principalmente quando a não tem afeto. É esse fator que segura mais a questão emocional do individuo. Quando ela não tem afeto, acaba se sentindo sozinha, insegura e não tem em quem se espelhar”.

No caso do massacre de Suzano, a especialista ressalta que além de um crime, foi um caso de suicídio de pessoas que estavam sofrendo. Luana aponta que muitas vezes o que se nota no perfil dessas pessoas é que elas costumam ser mais introspectivas, não falam muito, são mais isoladas, não têm muito contato com outras pessoas e buscam mascarar os próprios sentimentos. “Mas, cada caso é um caso. Também há aquelas que são mais afetivas, alegres, mas estão guardando o sofrimento”, observa Frick.

Reconhecendo e ajudando

Ao identificar alguns fatores como a necessidade de afeto, o isolamento, que segundo Luana Frick tem grande relação com a modernidade, pois isola a todos, é buscar uma ajuda profissional. Não precisa ser necessariamente um psiquiatra. Além disso, ela relembra que há atendimentos as crianças e adolescentes, sem custos, nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) Adolescer e o Caps Infantil. Ambos estão localizados no bairro Jardim Europa, Avenida Romênia, s/n, em Cuiabá, ao lado da Polícia Comunitária.

“Caso a pessoa tenha afeto, carinho, sem problemas escolares, boa base familiar e amigos, é muito difícil acontecer algo parecido. Mas, com problemas, a chance dela vivenciar o jogo de uma maneira real é maior”.

Explicou que há adolescentes que verbalizam os sentimentos e pedem para buscar ajuda, mas geralmente crianças com 12 anos ou menos não costumam verbalizar o sofrimento. E a identificação muitas vezes se da pela mudança de comportamento delas, há sinais de alertas.

“Indivíduos que estão deprimidos vivenciam momentos de angústia com maior intensidade, ou seja, a percepção do mundo encontra-se distorcida para eles”, conclui Luana Frick.

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