Servidores da área técnico-administrativa do Hospital Júlio Müller suspenderam a greve, iniciada no último fim de semana, por força de liminar da Justiça Federal que ordenou a retomada integral dos trabalhos. A suspensão foi decidida em assembleia geral nesta segunda-feira (25), e um recurso para derrubar a liminar já foi interposto.
“Decidimos suspender a greve, mas continuamos em estado de greve e partimos para a judicialização também. A Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) conseguiu a liminar alegando que a manutenção dos serviços não estava sendo cumprida; ingressamos com ação para mostrar que os 30% estavam sim sendo cumprido rigorosamente”, diz coordenador do Sintuf (Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativo em Educação de Mato Grosso), Fábio Ramirez.
Cerca de 350 técnicos estavam em greve desde sexta-feira (22). Eles cobram a suspensão do quadro de 40 horas de trabalho semanais determinado pela Ebserh. A direção do sindicato afirma que esse modelo impossibilita o casamento de expedientes de modo a manter atendimento ininterrupto, incluindo feriados e fins de semana, a pacientes, como no quadro de 30 anos.
O coordenador diz ainda que na sexta e no sábado a administração do Júlio Müller fechou o setor triagem (serviço de pré-consulta) e unidades de enfermaria para justificar a falta de pessoal para atendimento ao público, decisão considerada uma manobra política para culpar os grevistas.
“Temos como provar que a manutenção estava sendo cumprida, e os setores de triagem e enfermagem foram fechados para jogar a população a gente. Por isso, decidimos partir para justiça também”.
Conforme o coordenador, o recurso para revisão da liminar foi ingressado nesta segunda-feira na Justiça Federal em Brasília. Também hoje foram protocolados no Ministério Público Federal e no TCU (Tribunal de Contas da União) documentos que mostram a insuficiente administrativa do Júlio Müller, que, nos últimos três meses, começou a fechar setores do hospital, gerando o fechamento de 25 leitos.
“O setor de pré-parto, parto e pós-parto (PPP) foi fechado com pacientes já em trabalho de parto. Isso vem ocorrendo já há uns três meses, e a Ebserh alega redimensionamento de pessoal e esforço para reequilíbrio das despesas. Mas, os serviços ao público estão sendo prejudicados”.



