“Uma questão que chama muita atenção em casos como esse de Suzano é a falta de protocolos de seguranças nas unidades de ensino, para casos de eventos críticos”, apontou o professor e pesquisador do Núcleo Interinstitucional de Estudos da Violência e Cidadania (Nievci), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Edson Rondon.
Doutor em sociologia e professor há 25 anos, Rondon é um dos pesquisadores do Nievci, m grupo da UFMT que estuda diversos temas ligados à violência, direitos humanos e outros assuntos que possam ser associados à discussão.
O professor relembra os oito casos parecidos que ocorreram no Brasil desde o início dos anos 2000. Em Salvador – Bahia (2002), Taiúva – São Paulo (2003), Realengo – Rio de Janeiro (2011), São Caetano do Sul – São Paulo (2011), João Pessoa – Paraíba (2012), Goiânia – Goiás (2017), Janaúba – Minas Gerais (2017) e Medianeira – Paraná (2018).
“O Brasil não tem histórico disso e de uma hora para outra começa a acontecer”, aponta o professor. “É necessário que sejam realizados estudos para compreender o que está acontecendo. Isso acaba gerando uma multiplicidade de debates que variam desde a questão da influência dos jogos virtuais ate a liberação de armas…”.
Rondon ressalta que diante de tantos novos casos pelo país, o Brasil carece de políticas públicas para os protocolos de segurança em momentos de crises naturais ou criminosas. “Não se tem uma cultura para fazer simulações e exercitar essas questões de preparo para esses casos. A gente sabe que nunca está preparado, mas é fundamental saber como agir”.
Segundo o pesquisador, por se tratar de um ambiente com crianças e adolescentes é um trabalho mais complexo, mas existem três orientações que são seguidas para a segurança física da pessoa: correr, esconder e lutar.
“A primeira reação é que se deve correr, mas para onde se não tem protocolo? Não sabe para onde, como sair… Esconder é procurar um local para se proteger e o terceiro é lutar, o instinto natural, em última hipótese”.
Os debates sobre o crime
O professor Edson Rondon aponta que a grande chave do crime é encontrar a motivação. “Tem que descobrir o que motivou os assassinos a praticarem aquele ato. Desde uma perturbação, doença mental, até fatores sociais. Não tem como delinear o que influenciou de fato, são múltiplas variáveis”.
Citando Sérgio Buarque de Holanda, Edson Rondon diz “O homem cordial brasileiro tende a buscar solução de seus conflitos de ordem privada no espaço público. E quando você joga no caldeirão há possibilidade de massacre, sem descartar a possibilidade da imitação desses eventos críticos. Que é algo que a sociologia já estuda faz tempo”.
O professor aponta que muitos têm para si a necessidade de se aparecer, de se tornar um mito. E conclui relatando que eventos como este do massacre de Suzano, devido a sua magnitude, tendem a ser reproduzidos.
“Hoje há uma cristalização de violência, tende a uma banalização, parece que tudo virou normal. Os conflitos tendem a ser direcionados para o uso da força”, finalizou o pesquisador.



