O Ministério Público do Estado (MPE) deu parecer favorável a novo interrogatório do coronel da Polícia Militar, Evandro Alexandre Ferraz Lesco, sobre os casos de grampos telefônicos, que funcionou com central na sede da PM desde 2014.
O parecer foi assinado nesta terça-feira (12) pelo promotor Allan Sidney Ó de Souza, abrindo espaço para deferimento de ação apresentada pela defesa do coronel à 11ª Vara Militar de Cuiabá. “O Ministério Público não se opõe ao deferimento do pleito, até porque, encontra-se respaldado de forma subsidiária no art. 196, do Código de Processo Penal, se tratando o interrogatório, de um ato processual não preclusivo”.
Evandro Lesco já foi ouvido em julho de 2018 com outros quatro réus que respondem pelo esquema de escutas ilegais, utilizando um sistema clandestino. O pedido foi encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE), pelo juiz Marcos Faleiros.
A defesa entrou com o pedido justamente uma semana antes do julgamento da grampolândia, que está programado para ocorrer entre os dias 20 a 22 de março.
A existência de suposta central clandestina de grampos telefônicos em Mato Grosso veio à tona no 11 de maio, quando o governo do Estado anunciou a exoneração do ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques.
Sua saída foi anunciada como um acordo entre Paulo e seu primo, o governador Pedro Taques, para que o homem forte do Executivo deixasse o Palácio Paiaguás e cuidasse pessoalmente das investigações envolvendo a suposta “arapongagem”.
As interceptações ocorreram por meio de uma tática conhecida como “barriga de aluguel” – em que números de telefones de pessoas comuns são inseridos em pedidos judiciais de quebra de sigilo, sem qualquer relação com investigações.
A Operação Esdras, deflagrada no dia 27 de setembro de 2017 pela Polícia Civil, tinha o objetivo de desarticular um grupo acusado de montar uma estratégia para atrapalhar as investigações relacionadas aos esquema de grampos ilegais no Estado e obter informações que pudessem comprometer o relator do processo no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Orlando Perri, para afastá-lo do caso.
Os mandados foram autorizados pelo desembargador Orlando Perri, a pedido da delegada responsável pelo inquérito, Ana Cristina Feldner, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).
Foram presos ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, o secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Siqueira, secretário de Segurança afastado, Rogers Jarbas, e o ex-secretário da Casa Militar, Evandro Lesco.
Outros dois militares também alvos do mandado de prisão preventiva, o sargento João Ricardo Soler e major Michel Ferronato, a mulher de Lesco, Helen Christy Carvalho Dias Lesco, e o empresário José Marilson da Silva, ex-dono da empresa Simples IP que fornecia sistema de segurança sentinela ao Governo.
Ao todo foram oito mandados de prisão, uma condução coercitiva, uma fixação de medidas restritivas e 16 de busca e apreensão.
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