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Chega a 12 o número de mortos em forte chuva em São Paulo

O Corpo de Bombeiros atualizou para 12 o número de mortos em razão da forte chuva que atingiu a Grande São Paulo na madrugada e manhã de hoje (11). Foram quatro mortes em Ribeirão Pires e um em Embu das Artes por causa de deslizamentos, três em São Caetano, dois em Santo André, um em São Bernardo e um em São Paulo, por afogamento. Também foram registrados seis feridos.

A 12ª morte foi um homem encontrado em um córrego na Avenida Engenheiro Olavo Alaisio de Lima, em Santo André.

O Corpo de Bombeiros atualizou também os acionamentos à corporação em razão das chuvas. Desde a 0h até as 16h20, foram 123 ocorrências de quedas de árvores, 94 desmoronamentos e desabamentos e 740 chamados por enchentes e alagamentos.

A Defesa Civil informou, por meio de nota, que o número de desabrigados ainda está sendo contabilizado pelos municípios atingidos.

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), das 19h de domingo até as 7h de hoje (11), choveu 57,8 milímetros (mm), o que corresponde a 32,6% do volume esperado para todo o mês de março, que é de 177,4 mm. O volume acumulado no mês é de 160,8 mm, 90,6% do esperado.

Ipiranga

Além da região metropolitana, na capital a situação mais crítica se deu no Ipiranga, bairro da zona sul. O bairro ficou em estado de alerta entre 20 horas deste domingo e 12 horas de segunda. O Córrego do Ipiranga, o rio Ribeirão dos Meninos e o rio Tamanduateí transbordaram.

Em São Paulo, no Parque São Rafael, divisa com o Grande ABC Paulista, um deslizamento de terra deixou uma mãe e duas crianças feridas. Uma das menores está em estado grave e recebeu atendimento em um PS em Sapopemba, de acordo com o Corpo de Bombeiros.

Somente na capital, entre meia-noite e 10h20, os bombeiros receberam 78 acionamentos de quedas de árvore, 76 chamados sobre desmoronamentos e desabamentos e 698 ocorrências de enchentes e alagamentos. 

A Prefeitura de São Paulo convocou às pressas uma coletiva de imprensa sem a participação do prefeito Bruno Covas (PSDB), de licença por motivos pessoais. No lugar dele, como prefeito em exercício, está o vereador e presidente da Câmara Municipal Eduardo Tuma.

Com o transbordamento do Rio Tamanduateí, pelo menos muros desabaram na Avenida do Estado, que acumula também lixo e lama. Moradores chegaram a pescar um peixe no local. 

Moradores da Rua Manifesto, no Ipiranga, que é paralela à Avenida do Estado, não conseguiam contabilizar os prejuízos na manhã desta segunda. A rua ficou inundada e moradores precisaram ser resgatados com um bote pelos bombeiros. Durante esta manhã, eles tiravam a lama de dentro de casa e jogavam os móveis que ficaram destruídos.

"Moro aqui desde 2006 e nunca passei por nada nesse nível. Perdi rack, poltrona, cadeira, cama. A geladeira e a máquina de lavar estão tombadas e nem sei se estão funcionando", diz a dona de casa Daniela Simões dos Reis, de 38 anos.

Ela chora ao se lembrar de como foi o resgate. "Meu marido saiu do trabalho e não conseguia chegar em casa. Estava com a minha mãe, que é cadeirante, meu filho de 9 anos e a cachorra. Fiquei desesperada, gritando. Quando saímos, a água já estava no pescoço."

Em um condomínio na mesma rua, carros que estavam em dois andares de garagem foram cobertos pela água. Moradores estimam que havia cerca de 150 veículos no local. Condôminos tentavam drenar a água.

"Meu carro está embaixo d'água. Não consegui levar minha filha na escola nem ir para o trabalho", diz a fisioterapeuta Fernanda Cristófaro, de 40 anos.

Moradora do condomínio, a professora Paula Aurelice Ramos de Oliveira, de 30 anos, disse que a água invadiu os andares de garagem pelas escadas e pela rampa de um prédio anexo onde outros veículos ficam estacionados. O prédio onde ela mora foi evacuado no início da tarde. Uma mangueira foi colocada na rampa da garagem na tentativa de drenar a água. 

"Muita gente ficou em casa e não foi trabalhar. Todo mundo está preocupado com os veículos. Em um andar, a água invadiu e inundou completamente. Em outro, só dá para ver o rack, o suporte no teto do carro", conta. "Vários alarmes dispararam a noite inteira. Ninguém sabe se vai ser o caso de acionar o seguro ou não. O pior é que o documento do meu carro ficou lá dentro. Menos mal que não tinha mais coisa."

Galhos e lama invadiram o jardim do prédio, além da portaria. Paula acordou às 4h30 com gritos de "Socorro!" dos vizinhos da casa de baixo, que pediam ajuda para sair. Ela viu quando os bombeiros chegaram em um bote e resgataram quatro pessoas.

"Nunca vi nada que fosse tão assustador. A rua e o rio viraram uma coisa só. Conforme a água foi baixando durante a manhã, foram surgindo carros que haviam ficado completamente submersos", diz.

Rodízio e zona azul suspensos

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) suspendeu o rodízio e a zona azul em toda a capital em razão do temporal.  A Companhia do Metropolitanao (Metrô) informou que todas as linhas de metrô funcionam normalmente.

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), por volta das 9 horas se acumulavam na capital paulista 27 pontos de alagamento, sendo 15 transitáveis e 12 intransitáveis.

O analista de TI André Fernandes, de 32 anos, o analista de Telecom Maurício Cardoso, 35, e o analista de projetos em TI, Rafael Nunes, 28, estavam em um veículo fretado e se deslocavam para o trabalho em Alphaville, em Barueri, na região metropolitana.

Eles saíram de casa às 6 horas e até as 10 horas só haviam conseguido chegar até a Ponte do Tatuapé, onde ficaram travados em função do engarrafamento na Marginal do Tietê. Eles desceram do fretado e voltaram a pé para casa. 

Apesar dos congestionamentos, a tempestade perdeu força e não há mais registro de precipitações, de acordo com o CGE. Na região do Grande ABC, o rio Tamanduateí e seus afluentes ainda estão com as cotas muito elevadas ou extravasadas, o que ainda mantém regiões em estado de alerta por precaução.

A SPTrans informou que a operação dos ônibus está prejudicada em razão das fortes chuvas. O Expresso Tiradentes teve sua operação paralisada. Os ônibus de oito linhas não estão circulando pela Marginal Tietê, abaixo da Ponte das Bandeiras, e fazem desvios pela rua Voluntários da Pátria, rua Santa Eulália e avenida Santos Dummont. 

Outro ponto intransitável foi o trecho entre as avenidas Paes de Barros e Luiz Ignacio de Anhaia Mello, por onde passam coletivos de 13 linhas. Alguns ônibus estão ilhados na avenida do Estado e na região de Vila Prudente. A avenida Sumaré ficou interditada no sentido Turiassu por causa de queda de árvore.

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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