A reforma da Previdência pode ser decisiva para a política monetária em 2019, independentemente de a proposta ser aprovada ou não.
O fracasso da reforma poderia levar o Banco Central a elevar os juros para segurar um possível estresse do câmbio. Por outro lado, o otimismo gerado pela eventual aprovação da proposta poderia acelerar o crescimento do PIB e reverter o cenário dos últimos anos, em que a atividade desaquecida manteve contidas as pressões inflacionárias.
Só uma inesperada supervalorização do real – hoje não prevista pelo mercado – seguraria a alta da Selic. Mesmo com o otimismo gerado pelo discurso pró-reformas do novo governo, o mercado futuro de juros segue sinalizando uma possível alta da Selic no próximo ano, que começaria entre o meio e o final do primeiro semestre. A pesquisa Focus do BC prevê que a taxa Selic fechará o próximo ano em 8%, ante os atuais 6,5%.
Se o Congresso aprovar a PEC da Previdência, a economia poderá reagir mais fortemente e exigir uma alta da Selic, diz Roberto Secemski, economista do Barclays. Para ele, a curva de juros reflete um pouco de prêmio de risco, mas também a visão de que será preciso elevar o juro básico de qualquer maneira.
O Barclays espera que a Selic chegue a 8,5% no fim de 2019, embora veja possibilidade de adiamento do início do ciclo de alta.
Um crescimento forte do PIB, após a aprovação da reforma da Previdência, poderia levar o BC a elevar em, ao menos, 100 pontos base a taxa Selic, disse o economista Marcelo Kfoury, professor da FGV.
Para Luiz Eduardo Portella, sócio da Novus Capital, a parte longa da curva de juros exige mais informações sobre votação da reforma da Previdência, mas ele concorda com a tese de que um crescimento econômico maior fará o BC agir.
Ele prevê +4% de PIB no ano que vem e considera que o BC deverá ter de começar a elevar juro entre março e maio. “O hiato deve fechar mais rápido do que o mercado está esperando”, diz Portella.

