Muitos mato-grossenses ainda não possuem banda larga fixa ligada a cabo. Pouco mais da metade dos municípios de Mato Grosso tem acesso à conexão via fibra óptica. Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 54,6% das cidades são atendidas com este tipo de infraestrutura.
Os vizinhos Roraima (57,7%), Pará (49,3%) e Tocantins (48,2%) estão numa situação parecida. Pouco mais da metade dos municípios destes três Estados tem acesso à rede de fibra óptica. Já 61,4% e 77,2% dos municípios de Goiás e Mato Grosso do Sul, respectivamente, são atendidos com esta infraestrutura. O pior Estado do país com acesso à rede de infraestrutura é o Piaui, com atendimento somente a 17,9% dos municípios.

O mapeamento de rede de fibras ópticas pelos municípios de Mato Grosso e do país podem ser acessados pelo site da Anatel (clique aqui).
A expansão do cabo de fibra óptica é feita por empresas privadas. De acordo com o Eduardo Jacomassi, gerente do setor de universalização e ampliação da Anatel, "as empresas que fazem o investimento para poder vender o produto depois".
Segundo Jacomassi, as empresas podem não ter um número de clientes o suficiente e, consequentemente, não ter retorno econômico para levar o cabo de fibra óptica a um município pequeno e fornecer uma rede de banda larga por esta infraestrutura.
"Nem todos os municípios têm o retorno financeiro que compense a fazer o investimento de substituição daquela rede inicial que ela já tinha por uma rede nova e mais moderna de fibra optica. A maior dificuldade de fibra optica é o financeiro basicamente", disse.

Para a internet chegar ao usuário, as empresas ainda aproveitam estruturas já montadas, por exemplo, a rede telefônica ou a de TV a cabo.
Em municípios do interior, eles também podem aproveitar do fios de telefone ou até das antenas. Mas nessas cidades, que costumam ter poucos habitantes, a internet pode ser transmitida via rádio.
"É uma tecnologia boa. Só que é via rádio. Ele tem uma limitação. Ele não tem tanta capacidade quanto o cabo de fibra óptica. Se é município pequeno e com poucos habitantes, o rádio é suficiente para atender o serviço", comenta Jacomassi.
Na Região Centro-Oeste, o preço, a falta de necessidade e de capacitação são os principais fatores que levam famílias a não terem acesso a internet em suas residências. Os dados são da pesquisa TIC Domicílios 2017 feita pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), que é ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
58% dos moradores da região centro-oeste acham muito caro o serviço. E 46% deles relatam também a falta de necessidade de ter acesso ao serviço em suas casas. E outros 44% dos moradores relataram que não sabem usar a internet.
Estes dados acompanham uma tendência nacional. 27% dos entrevistados pela Cetic afirmam que o serviço é caro no Brasil. Este revela a desigualdade econômica que pode levar a ausência de conexão em domicílios muito pobres ou afastados de grandes centros em pleno Século XXI.
Uma alternativa a esses usuários de baixa renda é o celular. O Cetic também aponta que um dos perfis de usuários que usam telefones móveis para acessar a internet com frequência é os moradores de áreas rurais.
No país, 72% de domicílios de áreas rurais usam exclusivamente o celular para acessar a internet.
Segundo o Cetic, os moradores de áreas rurais não possuem a oferta de acessar a internet por mais de um dispositivo, como acontece com usuários em zonas urbanas e principalmente entre os mais ricos.

Os dados da Anatel são de 2018 fazem parte de uma lista organizada pela Anatel. Eles foram obtidos junto às empresas e algumas associações de prestadoras de serviços de telecomunicações que fornecem acesso de banda larga. No site do Anatel, é possível verificar onde há infraestrutura de fibra óptica em cada município.
O objetivo é manter um diagnóstico atualizado da infraestrutura de telecomunicações brasileira para subsidiar a construção de novas políticas públicas e permitir que os agentes interessados (governos, empresas e cidadãos) possam ter acesso às informações em formato aberto e, assim, fomentar a participação de todos os players do mercado.



