A eleição do último domingo (07) mostrou o quanto o estado de Mato Grosso se mantém conservador em questões políticas, e ainda busca eleger candidatos que apresentam projetos e propostas pela família tradicional brasileira, religião e penas mais severas a praticantes de crimes.
O candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) de extrema direita, conseguiu 60,04% dos votos válidos, um total de 981.119 eleitores. Já Fernando Haddad (PT) que tem representado a esquerda, ficou com apenas 24,76% dos votos, o que representou meio milhão a menos de votos.
O PT na corrida presidencial, somente no ano de 2002 conseguiu sair vitorioso no estado, quando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou José Serra (PSDB) no segundo turno com 54% contra 45% dos votos para o tucano.
Já em 2006, Lula foi derrotado em Mato Grosso pelo candidato do PSDB Geraldo Alckmin, que ficou com 50,31% dos votos, enquanto Lula levou 49,69%. Em 2010 José Serra voltou a concorrer um cargo presidencial e mais uma vez saiu vitorioso no estado, com 51,11% dos votos válidos, enquanto Dilma Roussef (PT) teve 48,89% dos votos.
A penúltima eleição no ano de 2014, Aécio Neves também do PSDB derrotou Dilma e foi o mais escolhido no estado, tendo 54,67% dos votos contra 45,33 de Dilma que foi candidata a reeleição.
Além da vitória de Jair Bolsonaro no primeiro turno no estado, candidatos que pregaram sua palavra e se mostraram conservadores, surpreenderam na eleição e foram eleitos com grande número de votos. É o caso da juíza Selma Arruda (PSL) que após rusgas com o PSDB, passou a adotar o discurso bolsonarista em suas entrevistas e se sagrou a senadora mais votada com 678.542 votos, e desbancou candidatos conhecidos como Adilton Sachetti (PRB), Nilson Leitão (PSDB) e Procurador Mauro (PSOL).
Selma Arruda teve quase 200 mil votos a mais que o segundo senador eleito Jayme Campos (DEM). Ao cargo de deputado federal, Nelson Barbudo também do PSL, surpreendeu muita gente ao ser eleito o deputado com maior número de votos, conseguindo a confiança de 126.249 eleitores, conseguindo assim, 43.721 votos a mais que o segundo colocado.
Outro fator que chama a atenção, é o número de mulheres eleitas, apenas três mulheres conseguiram se sagrar vencedoras nesta eleição, enquanto 31 homens foram eleitos, além do governador Mauro Mendes e seu vice Otaviano Pivetta.
A baixa representatividade feminina também mostra um certo preconceito dos eleitores com as candidatas. No total 149 mulheres tentaram uma vaga nas cadeiras eleitorais e só três alcançaram o objetivo e se sagraram vitoriosas.
Sendo a deputada mais votada para assumir uma cadeira no legislativo, Janaina Riva (MDB) falou sobre a responsabilidade de ser a mais eleita e defesa da mulher na Assembleia Legislativa.
“Esse resultado aumenta a responsabilidade de reafirmar os compromissos assumidos com os eleitores, e eu ser a mais votada, mostra que as mulheres querem e precisam ser representadas no legislativo, e assim farei”, disse Janaina no Centro de Eventos do Pantanal no domingo.

As mulheres representam 50% dos eleitores e Rosa Neide, a outra mulher eleita no estado, disse que em Brasília, irá trabalhar pelo empoderamento feminino e defesa do direito das mulheres.
“Penso que, com o investimento em educação, é possível melhorar todas as áreas, inclusive o respeito à mulher”, pontuou.
Janaina disse em 2017, disse no programa que sua pretensão política é ainda maior.
“Gostaria muito de disputar uma eleição de Governo, quero me preparar para isso. Tenho que estudar mais, porque é muito trabalhoso. Acho que é um trabalho de construção. Mas, isso não quer dizer que se chegar em 2022 e eu não ser candidata ao Governo não serei candidata a nada”, revelou Janaina.
O conservadorismo mato-grossense também esteve presente no quesito de eleitos. Nenhum negro ou candidato assumido LGBT foi eleito.
De acordo com dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) entre os eleitos para ocupar a Assembleia Legislativa 19 se declararam brancos e cinco assumiram ser pardos. Dos candidatos, apenas 7,6% de cor negra concorreram a uma vaga e não conseguiram os votos suficientes para assumir alguma cadeira.
Entre os candidatos LGBT, alguns sofreram ameaças desproporcionais e fora dos padrões de simples críticas políticas. A candidata Madona Arruda (PPS), utilizou as redes sociais para relatar que estava sendo ameaçada e sofrendo xingamentos em seu perfil, devido a defesa a classe LGBT.
A candidata relatou que os ataques partiram quando ela expôs a defesa da Casa Colorida, que é uma casa de amparo ao público LGBT na capital. Madona pediu mais tolerância e menos preconceito das pessoas em um vídeo postado, “As pessoas não conhecem ninguém e vão julgando e xingando por xingar, pela opção sexual dela. Se você quiser que o seu candidato, realmente vença, seja mais humano”, disse.
Já no município de Sorriso (398 km de Cuiabá-MT) o candidato a deputado estadual Maurício Gomes (PSB) teve o carro destruído e a casa pichada pelo simples fato de ser gay. Ele relatou que o motivo do ataque foi relacionado a política e que nunca foi tão humilhado em sua vida.




