Em recuperação após realizar a cirurgia de reconstrução mamária, Leidiane Pereira Correa, de 25 anos, passou há dois anos pelo procedimento de retirada do seio esquerdo, por conta do câncer de mama. Ela conta que recebeu com surpresa a notícia de que poderia realizar a cirurgia, já que não acreditava que precisava de mais nada, após vencer a doença.
Alto-astral, a jovem conta que no começo ficou com medo e não queria passar pelo processo cirúrgico, mas que após o conselho do seu médico, aceitou e no mês passado (setembro), realizou a cirurgia. “Isso não fazia diferença pra mim, entende? Eu me sentia perfeita, tinha uma cicatriz de vencedora, de guerreira”, relatou ao Circuito Mato Grosso.

Leidiane foi à primeira, das 15 pacientes selecionadas para serem operadas na Jornada de Reconstrução Mamária, realizada pelo Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCan-MT). Realizada de forma escassa pelo Sistema Único de Saúde, muitas mulheres acabam passando mais de ano na fila de espera para terem suas mamas reconstruídas, depois de serem tiradas com o câncer.
O oncologista Luiz Fernando, explica que hoje a reconstrução mamaria é realizada logo após a retirada da mama. A indicação é da Sociedade Brasileira de Mastologia. “Isso já é realizado na maioria dos casos. Hoje a gente procura fazer sempre que possível, porque isso não vai trazer impacto social, psicológico e sexual na paciente. É fundamental para o tratamento oncológico, para a autoestima da paciente já que a cirurgia de retirada ocasiona um processo de mutilação”.
O médico explica que a reconstrução mamaria pode ser feita de duas formas, usando próteses, o que é mais feito hoje em dia, em torno de 80% dos casos, ou utilizando tecido do próprio organismo da paciente, os chamados retalhos, utilizado em 20% dos casos.
Em casos de incidência, o médico explica que dependendo de onde ele voltou, no caso se o nódulo aparecer novamente na mama existe a possiblidade de realizar a cirurgia e depois a quimioterapia. Caso o nódulo apareça à distância o melhor tratamento é a quimioterapia.
Durante o processo, também é feito a reconstrução da aureola que é feito separado do procedimento de reconstrução. E a reconstrução mais indicada seria a dermopigmentação da aureola e do mamilo.
Mesmo tendo descoberto os caroços no seio aos 21 anos de idade, Leidiane passou dois anos fazendo o tratamento como se fossem cistos. Descobriu o câncer durante a gravidez, já no estágio 4 (nível avançado) e urgentemente teve que se submeter a masectomia.

“O médico disse que eu teria que optar pela minha vida para cuidar da minha filha ou esperar para ter o bebê e não poder cuidar de nenhum dos dois”, lembra.
A cirurgia foi feita no quarto mês de gestação, e o feto chegou a ser dado como morto após o procedimento. Depois disso, o ex-marido acabou abandonando a mulher, pois não a aceitava sem os seios. “As palavras que o meu ele falou pra mim, serviram como vitamina para me deixar ainda mais forte. Seio não é nada, eu tenho que ser feliz e viver”, ressaltou.
Leidiane ainda passou por quatro quimioterapias em companhia do seu bebê, que nasceu perfeito e saudável. Hoje ela está namorando e conta que foi aceita pelo companheiro que a ajuda muito.
“Quando eu falei sobre a reconstrução da mama ele disse que era para eu fazer por mim, se eu quisesse, porque para ele não precisava disso. Ele dizia que tinha me conhecido assim e me amava desse jeito”, conta Leidiane.
Para as mulheres que passaram pela cirurgia de remoção da mama, Leidiane deixa uma mensagem: se amem do jeito que é, antes de qualquer coisa. Ela ainda pede que as pacientes não se importem com a opinião de ninguém, pois o importante é fazer o tratamento corretamente e agradecer por estar vivo.
Leidiane também deixa um alerta a todas as mulheres, para que independente da idade comece a fazer o autoexame da mama. “Vamos nos tocar. Quanto antes se descobre o caroço melhores são os resultados. Não importa a idade, desde os 15 anos já pode começar, porque o câncer de mama dá em qualquer idade”, finaliza.



