Cidades

MT registra apenas uma doação de órgão de alta complexidade em 2017

Apenas uma doação de órgão de alta complexidade (coração, rins, pâncreas, pulmões e fígado) foi realizada em Mato Grosso em 2017. Neste caso, foi retirado coração, fígado e rins do doador, e foi a primeira captação de coração da história do Estado. Isto aconteceu em fevereiro, na capital. Os dados são da Coordenadoria de Transplantes (Contran).

A situação só não é ainda mais triste do que a registrada em 2016, quando não houve registro de doação de órgãos de alta complexidade. O Estado ainda não dispõe de credenciamento para realizar transplantes de órgãos sólidos.

Segundo a coordenadora de transplantes da Secretaria de Estado de Saúde, Fabiana Molina, o número é muito baixo por causa da falta de estrutura e também pela negação da família, por falta de informação. “Como a estrutura é um fator comprometedor, a negação da família é apenas um empecilho. A estrutura nossa é que é muito deficiente”.

Ela conta que a pessoa que quer ser doadora deve contar para a família, pois os parentes, tendo ciência da vontade do ente querido, facilita o processo de consentimento. “Só acontece a doação se a família autorizar e ela tende a respeitar a vontade do ente querido. Quando uma pessoa comenta a vontade de doar, faz uma diferença enorme”, relata Molina.

Podem autorizar a doação de órgãos apenas os familiares de até segundo grau como: pais, filhos, irmãos e avós. Já no caso de menor de idade, somente os pais e avós. “Nós também usamos duas testemunhas, queremos mostrar que é um trabalho sério e que a família se sinta segura conosco”, disse.

Segundo a coordenadora, as captações de órgãos de alta complexidade são feitas por equipes de fora e de grandes centros. A equipe de extração é procurada pela central nacional para vir ao estado por meio de uma parceria com empresas aéreas que disponibilizam vagas para os enfermeiros, e também através da Força Aérea Brasileira (FAB). Neste caso, o custo é maior e utilizado em lugares de difícil acesso.

“Eles chegam, fazem a retirada e voltam para o destino de origem, tudo com rapidez e segurança para que o órgão chegue o mais rápido possível. A família do receptor e o próprio ficam aliviados e felizes quando encontram um órgão compatível. É uma nova vida, uma nova chance de viver”, relata.

A coordenadora de transplantes conta que tem um projeto de autorização para um centro de transplante renal e de medula óssea. “A expectativa de 2018 é que Mato Grosso oferte o transplante de córnea, medula e de rins”.  Em 2017, o estado teve 29 doadores de córnea e foram feitos 125 transplantes.

Doação de córnea está menor que em 2016

Neste ano, Mato Grosso teve 29 doadores de córnea e foram feitos 125 transplantes, sendo que uma parte deste número de córneas transplantadas é fornecida pela Central Nacional de Transplantes (CNT).

Já em 2016 houve 73 doações de córneas e 106 transplantes e em 2015 houve 70 doações e 130 transplantes. O transplante de córnea é o único feito em Mato Grosso, apenas dois estabelecimentos e três equipes têm credenciamento para fazer o procedimento.

Em 99% dos transplantes de córnea em Mato Grosso são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e realizados na capital, que é o único município onde há os credenciados.  

Paciente passou por três transplantes de córnea

O empresário Cesar Amorim passou por três transplantes de córnea no mesmo olho, sendo duas delas no ano passado. Ele é portador de ceratocone, uma doença com tendência hereditária, porém fatores externos como alergias e coçar os olhos aumentam o risco de seu aparecimento. Ele é uma das pessoas beneficiadas pelo transplante de órgãos.

Casos leves são corrigidos com sucesso pelo uso de óculos ou lentes de contato especialmente desenhadas. É feita a correção óptica, porém a doença permanece e pode evoluir diferentemente em cada pessoa.

“Ainda estou com os pontos do último transplante realizado em novembro de 2016. A primeira vez que fiz o transplante foi em 1998, quando fiquei um ano na fila de espera; na penúltima vez fiquei seis meses na fila”, conta César.

Ele ainda fala da importância de doar e narra a agonia de ficar na fila de espera pela córnea. “Eu estava com medo de ficar cego, é difícil ficar esperando. Não desejo isto para ninguém, espero que as pessoas se conscientizem e façam doação, é necessário ajudar o próximo e isto é um sinal de amor mais lindo que existe”, disse.

Cada bolsa de sangue salva quatro vidas

Vítimas de violência, de acidentes de trânsito ou de doenças são salvas pelo banco de sangue do MT Hemocentro, que tem 17 unidades em todo estado. Segundo a gerente de doação de sangue, Juliana Silva, uma bolsa de sangue salva quatro vidas. 

O estoque do Hemocentro está em nível baixo devido ao aumento de transfusões, pela alta demanda e pela falta de fidelização por parte do doador. Na lista de voluntários são mais de 30 mil nomes, mas a maioria só teve esta experiência uma vez e nunca mais voltou.

“A principal dificuldade é com a fidelização do doador, que a motivação dele seja maior do que ajudar aquele parente que precisa de sangue”, relata Juliana.

Conforme o Hemocentro, um doador do gênero masculino pode doar de três em três meses. Já as mulheres podem doar num intervalo de quatro meses.

A gerente de doação ainda conta que mitos também interferem nas doações. Por exemplo: a lenda de que se doar sangue a pessoa engorda. “A doação não causa nada disso, não faz engordar nem emagrecer, não vicia. Quem fez tatuagem pode doar em um período de 12 meses, com piercing é a mesma coisa”, declarou.

Podem doar sangue a pessoas de 16 anos a 69 anos portando documento com foto; os menores devem estar acompanhados dos pais. A primeira doação deve ser feita até aos 59 anos, 11 meses e 29 dias.

Daniel Lucas – Foto: Arquivo Pessoal

O ser humano tem cinco litros de sangue e, para a doação, são tirados 250 ml; normalmente esta quantidade é reposta em 24 horas. O Hemocentro tem capacidade de receber 2 mil doares mensais e a média diária de atendimento é de 80 a 120 atendimentos.

Os principais que baixaram o estoque: O+ Rh-, sabendo-se que o O+ é prevalente na população; os positivos são mais portados pelos seres humanos e os negativos são mais raros. Dependendo da região, 5% da população têm o O-.

Como um presente de aniversário para si mesmo, o jovem Daniel Lucas aproveitou para fazer uma boa ação e salvar vidas. Ele doou pela primeira vez há alguns anos em um projeto da igreja que frequenta e passou a doar sempre que pode.

“Eu acho importante doar, ajudar o próximo é a principal missão que temos na Terra. Sinto que doar foi o melhor presente de aniversário que recebi”, falou.

Ele disse que é portador do sangue A+ e grande incentivador da causa. “Eu sempre divulgo para meus amigos e conhecidos. Falo que muita gente necessita de sangue e que não dói nada. Temos que ajudar sempre quem precisa”, frisa.

Salve vidas

Além do Hemocentro, localizado na Rua 13 de Junho, nº 1055, bairro Centro Sul, Cuiabá, existem outros 17 pontos de coleta em todo o Estado. Eles estão localizados em Água Boa, Alta Floresta, Barra do Bugres, Barra do Garças, Cáceres, Colíder, Jaciara, Juara, Juína, Mirassol D’Oeste, Porto Alegre do Norte, Primavera do Leste, Rondonópolis, Sinop, Sorriso, Tangará da Serra, e, em Cuiabá, no Pronto-Socorro Municipal.

Procure o endereço mais próximo e ajuda a salvar vidas. Seja um doador!

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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