O principal índice da bolsa paulista fechou em leve queda Nesta quinta-feira (14), após fechar em máximas recordes nos três pregões anteriores, com as ações da Vale exercendo a maior pressão negativa e investidores evitando grandes movimentos em meio à expectativa de uma nova denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer.
Ibovespa recuou 0,18%, a 74.656 pontos.
Cenário local
O quadro político seguia no radar dos investidores, com denúncias e investigações que podem voltar a atrasar a adoção das medidas, principalmente as econômicas, segundo a Reuters.
Nesta madrugada, a Câmara dos Deputados adiou, por falta de acordo entre os deputados, a votação da PEC da reforma política que estabelece um novo sistema eleitoral para a escolha de deputados e vereadores em 2018 e 2020 e cria um fundo para financiamento de campanhas.
Enquanto as denúncias e investigações despertam cautela e preocupações sobre seus impactos na política, o noticiário econômico segue favorável, corroborado nesta manhã por números da atividade econômica do país, que cresceu mais do que o esperado.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve alta de 0,41% em julho ante junho, acima da expectativa em pesquisa Reuters, de avanço de 0,10%.
Destaques do dia
Perto do fechamento, Vale caía mais de 3% em linha com o movimento dos futuros do minério de ferro na China. O recuo das ações da mineradora pressionava ainda os papéis da holding Bradespar PN, que cediam ao redor de 4% e lideravam as perdas do Ibovespa.
A JBS ON avançava 4,59%, liderando a ponta positiva do Ibovespa, diante das expectativas pela troca de comando da empresa, após a prisão do presidente-executivo Wesley Batista. O conselho de administração da produtora de alimentos se reuniu na véspera para receber informações da administração da companhia, após a prisão do executivo, mas o assunto sucessão no comando da JBS será discutida futuramente, disse uma fonte à Reuters.
Último pregão
Na véspera, o índice subiu 0,33%, aos 74.787 pontos, atingindo novo patamar recorde. Nos últimos dois pregões, a Bovespa já tinha atingido sua pontuação máxima – 74.538 pontos na terça e 74.319 pontos na segunda.
Perspectivas
Segundo analistas ouvidos pelo G1, a tendência para o Ibovespa continua de alta, mas é de se esperar um recuo de algumas semanas nos próximos meses em meio a um processo natural de ajuste e embolso de lucros.
Entre os principais fatores que explicam a alta da Bovespa, estão:
Liquidez internacional elevada em meio a taxas de juros baixas nos EUA. Ou seja, o cenário externo segue favorável para o maior apetite ao risco e para o fluxo de capital estrangeiro em países como o Brasil
Perspectiva de continuidade de queda da taxa básica de juros (Selic), que reduz a atratividade de aplicações em renda fixa e aumenta a busca por ativos de maior risco como ações
Sinais de recuperação gradual da economia, o que melhora a perspectiva em relação ao resultado das empresas de capital aberto
Dólar em queda, o que reduz o o custo de importação de insumos e melhora as margens de lucros das empresas
Expectativa de avanço da agenda de reformas do governo Temer no Congresso
Recuperação do preço de commodities como petróleo e minério de ferro no mercado internacional, que impacta na valorização dos papeís de empresa como Vale e Petrobras

