Economia

Dólar cai para R$ 3,25 e Bolsa tem 2ª alta apesar de impasse em reforma

A suspensão, nesta terça-feira (11), da sessão no Senado que votaria a reforma trabalhista não afetou o otimismo dos investidores em relação à aprovação das mudanças, levando a Bolsa brasileira a registrar a segunda alta seguida. No mercado cambial, o dólar fechou cotado a R$ 3,25, no menor patamar em mais de um mês.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas do mercado brasileiro, fechou em alta de 1,28%, para 63.832 pontos. O pregão teve volume financeiro de R$ 5,94 bilhões. A média diária do ano é de R$ 8,14 bilhões.

O dólar comercial encerrou o dia com queda de 0,21%, para R$ 3,254. É o menor nível da moeda americana desde 1º de junho. O dólar à vista, que fecha mais cedo, caiu 0,37%, para R$ 3,251, patamar mais baixo desde 2 de junho.

A votação da reforma trabalhista era a principal notícia do dia e serviria de termômetro para avaliar a capacidade do governo de levar à frente a agenda reformista. Levantamento da reportagem mostra que o Planalto tinha margem apertada para conseguir modificar as leis trabalhistas. Apenas 42 dos 81 senadores declaravam apoio ao texto. Se todos estiverem presentes, o governo precisa de 42 votos para aprovar a reforma.

"Amanhecemos com a perspectiva de votação da reforma trabalhista, mas o adiamento não assustou os investidores. Se a reforma não for votada hoje, será votada amanhã. Se não for votada amanhã, depois de amanhã", avalia Alvaro Bandeira, economista-chefe do home broker Modalmais.

Segundo ele, os investidores não estão preocupados com a governabilidade do governo de Michel Temer. "O que preocupa os agentes de mercado é a sequência das reformas, o que vai acontecer com a trabalhista, o que vai acontecer com a reforma da Previdência, a mais importante, mas também com a reforma política, a reforma tributária", diz. "Se tiver governabilidade, consegue-se alguma coisa, mesmo que desidratada."

Sem uma definição política, afirma Bandeira, a Bolsa seguirá oscilando entre os 61 mil e 63 mil pontos, enquanto o dólar variará nesse patamar de R$ 3,20 a R$ 3,30. "Não sai muito dessa situação. Os investidores estão esperando para ver quais são as definições. A política vai dominar a economia no sentido de aprovar essas reformas", complementa.

O risco-país medido pelo CDS (credit default swap, espécie de seguro contra calote) recuou 1,07%, para 235,7 pontos, menor nível em quase um mês.

AÇÕES

Além da confiança de que a reforma será aprovada, também contribuiu para a alta da Bolsa brasileira o bom desempenho das commodities no exterior.

Os preços do petróleo subiram mais de 2% e sustentaram a alta das ações da Petrobras. Os papéis mais negociados da estatal subiram 2,92%, para R$ 12,33. Os papéis ordinários, que dão direito a voto, fecharam com valorização de 2,91%, para R$ 13,07.

As ações da Vale e de siderúrgicas se beneficiaram da alta de 2,11% dos preços do minério de ferro. Os papéis preferenciais da mineradora avançaram 1,41%, para R$ 28,02. As ações com direito a voto tiveram alta de 1,11%, para R$ 30,04. As ações da CSN dispararam 6,46%.

No setor financeiro, destaque para os papéis do Banco do Brasil, que subiram 4,20%. As ações do Itaú Unibanco se valorizaram 1,51%. Os papéis preferenciais do Bradesco avançaram 1,74% e os ordinários tiveram ganho de 1,37%. As units —conjunto de ações— do Santander Brasil fecharam com valorização de 2,07%.

DÓLAR

A desvalorização do dólar em relação ao real se deu em linha com o enfraquecimento da moeda americana entre as maiores divisas do mundo.

Entre as 31 principais moedas, o dólar só conseguiu ganhar força ante 12.

O Banco Central deu sequência às atuações no mercado de câmbio e vendeu 8.300 contratos de swaps cambiais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). O BC rola os contratos que vencem em agosto, que somam US$ 6,181 bilhões. Até agora, a autoridade monetária já conseguiu rolar US$ 830 milhões desse total.

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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