Política

Para Mendes, vazamentos sugerem que Brasil é país de ‘trambiques’

Foto Reprodução

Débora Álvares – DA FOLHAPRESS

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Gilmar Mendes, voltou a criticar na manhã desta sexta-feira (24) os vazamentos de informações sigilosas, destacando que isso enfraquece as instituições "como se o Brasil fosse um país de trambiques".

"Eu deploro seriamente e exijo que nós façamos a devida investigação desse vazamento agora lamentavelmente ocorrido. Eu acho que isso fala mal das instituições. É como se o Brasil fosse um país de trambiques, de infrações", disse o ministro em seminário sobre reforma política no tribunal.

Mendes ressaltou que vai providenciar a investigação dos vazamentos de depoimentos de executivos da Odebrecht. "Isso não pode ser sistematizado. Ou se tem lei, ou se pede a divulgação e se quebra o sigilo. Agora, o vazamento feito por autoridade pública é crime e vamos investigar".

Nesta quinta (23), parte do depoimento de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira e herdeiro do grupo, foi revelado pelo site "O Antagonista". A Folha de S.Paulo também teve acesso ao documento na íntegra.

Entre outras coisas, Marcelo afirmou, em fala no dia 1º de março, que a ex-presidente Dilma Rousseff sabia dos pagamentos de caixa dois à campanha eleitoral de 2014, apontando os ex-ministros petistas Guido Mantega e Antonio Palocci como interlocutores dos repasses. Disse ainda não ter recebido pedido "específico" do presidente Michel Temer.

Na terça (21), Gilmar Mendes já havia criticado vazamentos, mas em referência à operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal na sexta passada (17). Na ocasião, o ministro classificou a divulgação de dados sob sigilo como uma "forma de chantagem implícita ou explícita". "É uma desmoralização da autoridade pública".

Em meio à defesa da reforma política, nesta sexta, Gilmar Mendes interveio a favor da classe política e afirmou que não "adianta satanizar, demonizar". "É preciso melhorar a qualidade, se incentivar as vocações, chamar os jovens, mas não imaginar que a política vai ser feita por promotores ou juízes, porque eles serão somente substitutos".

Aproveitando o gancho, atacou as 10 medidas contra a corrupção, enviadas pelo Ministério Público Federal ao Congresso. "Muitas delas eram ruins. Quem se inspirou para fazer isso tinha o espírito autoritário. Mas queriam que o Congresso aprovasse todas essas pílulas amargas".

Ainda atacou a lei da Ficha Limpa, à qual chamou de "geringonça". "Temos sofrido muito. Parecia feita com por bêbados". Mendes defendeu a importância de projetos de iniciativa popular, caso da legislação, porém afirmou que não se pode permitir a "intervenção" de corporações com interesses "específicos".

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Política

Lista de 164 entidades impedidas de assinar convênios com o governo

Incluídas no Cadastro de Entidades Privadas sem Fins Lucrativos Impedidas (Cepim), elas estão proibidas de assinar novos convênios ou termos
Política

PSDB gasta R$ 250 mil em sistema para votação

O esquema –com dados criptografados, senhas de segurança e núcleos de apoio técnico com 12 agentes espalhados pelas quatro regiões