A inadimplência do governo com a atenção básica da Saúde dos municípios aumentou 68,62% nos últimos quatro meses, aponta relatório de monitoramento divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). No relatório preliminar apresentado em outubro de 2016, a dívida do Estado referente a repasses para áreas de atenção primária era de R$ 13.872.436,00, que subiu para R$ 23.392.940,00 em fevereiro de 2017.
O monitoramento é parte de Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) assinado pela Secretaria de Saúde (SES) com o TCE. O financiamento da assistência farmacêutica atingiu R$ 3.804.261,78 este mês; aumento de 100% em apenas quatro meses, se considerado o valor de outubro de 2016, quando o atraso registrado foi de R$ 1.902.109,29.
No quarto monitoramento, a equipe de auditores identificou também o desabastecimento de 44,29% no estoque da Farmácia de Alto Custo. No caso da Central Estadual de Abastecimento de Insumos de Saúde (Ceadis), o desabastecimento foi de 42,39%.
Dentre os medicamentos em falta nos estoques estaduais estão a morfina (analgésico para dores severas), vários tipos de insulina, ciclosporina (remédio imunossupressor, utilizado para evitar rejeição de órgãos em pacientes transplantados) e galantamina (medicamento utilizado no tratamento do Mal de Alzheimer, doença que provoca perda progressiva de memória e alterações comportamentais).
O TAG surgiu como resultado de auditorias especiais do TCE realizadas em 2014 nas áreas de Atenção Básica de Saúde, Assistência Farmacêutica e Regulação Assistencial no âmbito do SUS.
Neste quarto ciclo de monitoramento, o objetivo foi avaliar o grau de cumprimento dos compromissos de 12 meses. Após a avaliação, verificou-se que apenas 17,14% dos compromissos acordados foram cumpridos, sendo que 25% não foram cumpridos, 45,71% estão em cumprimento e 5,71% foram parcialmente cumpridos.
Neste quarto ciclo de monitoramento foram avaliados 35 compromissos com prazo de cumprimento de 12 meses. Também reavaliados quatro compromissos em atendimento a determinações contidas no Acórdão nº 264/2016 – TP referentes às metas iniciais de três ou seis meses.
A avaliação realizada pelo TCE/MT também demonstrou que a gestão estadual da saúde tem evoluído em relação à elaboração do Plano Estadual de Assistência Farmacêutica e implementação do sistema Hórus (fornecido gratuitamente pelo Ministério da Saúde) para o gerenciamento do armazenamento, distribuição e dispensação de medicamentos no âmbito do SUS.
O conselheiro presidente e relator Antônio Joaquim levará o processo do TAG para avaliação em plenário na próxima semana. A SES pediu dilação de prazos para cumprir vários itens do TAG.



