Cidades

92% das mulheres reeducandas em Mato Grosso têm filhos, aponta Sesp

As mães privadas de liberdade têm um motivo a mais para ficarem angustiadas. A pandemia do coronavírus provocou o isolamento social, medida para evitar a contaminação da doença. Os poucos dias que as reeducandas têm direito a receberem visitas foram cancelados e não tem prazo para retornar.

Para driblar a solidão da carceragem, essas mães encontram nas cartas e videochamadas o abraço merecido da data. A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), junto com as unidades prisionais, o agendamento de pedidos para a videochamada.

Os pedidos podem ser feitos tanto pelas reeducandas, quanto pelos familiares. As solicitações são avaliadas e efetivadas por uma assistente social. O contato virtual dura 10 minutos.

Fora as cartas e videochamadas, as unidades penais tiveram que ajustar a programação de comemoração do Dia das Mães, também em função das medidas de prevenção ao coronavírus.
Segundo a diretora da Cadeia Pública de Nortelândia, Adriana Silva Duarte Quinteiro, a unidade preparou atividades internas com intuito de amenizar a ausência dos filhos e a ansiedade das mulheres.
“Para as 54 reeducandas que são mães (do total de 61), iremos proporcionar uma tarde de cine pipoca, no sábado, e depois do filme iremos apresentar no telão as fotos dos filhos. No domingo teremos um almoço especial para elas e também receberão a visita virtual dos familiares”.

As policiais penais plantonistas também serão contempladas com uma surpresa para a data.

Mães longe das crias

Dados da Secretaria chamam atenção para o extenso número de mães encarceradas no território mato-grossense. Ao todo, 340 mulheres estão presas nas quatro unidades prisionais femininas de Mato Grosso. Deste total, 316 são mães. Isso significa dizer que 92% das reeducandas têm filhos.

Na penitenciária feminina Ana Maria Couto em Cuiabá, e a maior de Mato Grosso, 99% das detentas são mães. Além disso, 187 mulheres estão no local. Destas mulheres, a grande maioria tem mais de um filho. No entanto, apenas uma delas está grávida e não há registro de nenhuma criança encarcerada com as mães.

Também há muitas mães presas no interior. Na Cadeia Pública Feminina de Nortelândia (253 km a Médio-Norte de Cuiabá), de 61 reeducandas, 54 são mulheres – ou seja, 88%.

Em Colíder (650 km ao Norte), são 57 mulheres presas, sendo que apenas 7 delas não têm filhos, o que equivale a 87% do quadro de detentas.

A Cadeia Feminina de Cáceres (225 km a Oeste) conta com 77% de mães detentas, uma vez que 27 das 35 mulheres do local possuem filhos. Não há registro de grávidas e lactantes ou de crianças vivendo nas penitenciárias do interior.

A realidade da carceragem feminina no Brasil não é diferente. Os dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen) são de 2016, contudo, mostram que muitas mães estão privadas de liberdade.

Em junho de 2016, a população prisional feminina era de 42.355, 13% a mais do que o levantamento anterior. Conforme os dados, 74% dessas mulheres têm filhos. Ou seja, a cada quatro presas, três estão longe dos filhos ou convivem com eles no cárcere.

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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