Cerca de 800 pessoas participaram da 1ª Corrida Nacional contra a Escravidão nesta terça-feira, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, em Cuiabá (MT). O evento foi criado e organizado pelo SINAIT e pela Delegacia Sindical de Mato Grosso para dar visibilidade ao tema e chamar a atenção para o trabalho desenvolvido pelos Auditores-Fiscais do Trabalho na erradicação dessa chaga.
O evento fez parte da programação do 36º Encontro Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho – Enafit que ocorre na capital mato-grossense até o dia 23 de novembro. A corrida foi dividia em três modalidades: Pessoas com Deficiência – PCDs, corridas de 5 e 10 quilômetros e o trecho de 2, 5 quilômetros de caminhada. Os percursos ocorreram dentro e nas imediações do Parque Mãe Bonifácia. O local foi escolhido em razão do símbolo que a Mãe Bonifácia representa, de libertação dos escravos.
De acordo com Valdiney Arruda, presidente do 36º Enafit, o evento foi um sucesso por atrair um número significativo de inscritos nas três modalidades de corrida e caminhada. “A corrida foi um sucesso, com número significativo de participantes e vamos continuar trabalhando para conseguir dar mais visibilidade ao combate ao trabalho escravo e à luta da categoria para acabar com este problema”.
Entusiasmo compartilhado por Carlos Silva, presidente do Sinait, que correu o percurso de 10 quilômetros. “A corrida foi ótima e estamos aqui também para marcar a data sobre uma construção de resistência e combate que faz parte da nossa história”.
O evento teve participação importante dos Auditores-Fiscais do Trabalho de todo o país que estão na cidade para participar do 36º Enafit. Como é o caso da carioca Alzira Almeida, que participou pela primeira vez de uma corrida de rua. “Gosto de caminhar e nunca tinha participado de uma corrida. Quis prestigiar e também honrar a nossa delegação aqui no evento”. Da delegação, Daniel Ferreira, Delegado Sindical do Sinait no Rio de Janeiro, atleta amador, ficou em terceiro lugar na categoria Master, de 50 a 59 anos, e considerou a experiência enriquecedora. “Foi muito legal correr com os colegas do Sindicato Nacional e quero garantir a minha presença na corrida do próximo ano”.
Cássia Leite, Auditora-Fiscal do Trabalho de Sergipe, gostou da iniciativa e considera a ideia fantástica. “Correr é bom e por uma causa é muito melhor. A escravidão é um assunto sério. A gente acha que foi abolida, que acabou com a Lei Áurea, mas existem formas de escravidão moderna, exploração do trabalho, jornadas exaustivas e condições degradantes. É preciso chamar a atenção da sociedade pra isso”.
O Auditor-Fiscal do Trabalho Marcus Medina, que corre profissionalmente, participou da caminhada. “Recentemente participei de uma corrida forte. Só que fiz questão de acompanhar os colegas nesta caminhada e aproveitei para curtir o evento”.
As amigas Andrea dos Santos Silva e Antônia Chagas do Nascimento, moradoras de Cuiabá, gostaram do tema da corrida e decidiram participar. “É um tema importante e não poderíamos ficar de fora”.
Cléa Laura de Sousa é tia da Ana Júlia dos Santos e, juntas, fizeram o percurso de 5 km. Elas gostam de correr e sempre participam destas competições. Para Cléa, a 1ª Corrida contra a Escravidão foi um evento marcante. “É um tema que não pode ser esquecido e fico triste que pessoas ainda sofram este tipo de situação. Por isso, fiz questão de participar”.
Além das participações individuais, grupos também fizeram o circuito. Foi o caso do Clube das Poderosas de Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Elas correm juntas e estão se preparando para a Corrida de Reis 2019, que ocorrerá no dia 6 de janeiro. “É um percurso entre Cuiabá e Várzea Grande e estamos nos preparando. Decidimos treinar e dar uma força ao evento Contra a Escravidão”.
Daniel Silva, cadeirante, integrou a modalidade PCD. “Jogo basquete e estou treinando para participar de eventos de rua. A corrida foi muito divulgada em Cuiabá, muitos amigos comentaram, não queria ficar de fora desta 1ª Corrida Nacional contra a Escravidão”.
Egressos do trabalho escravo
Os irmãos José Sérgio Marinho Coelho e Zenon Marinho Coelho, ambos resgatados do trabalho escravo, prestigiaram a corrida para reforçar o combate à escravidão contemporânea. Eles foram resgatados em 2009 numa obra de construção civil no município de Caçu (GO). “Precisamos denunciar os abusos que ocorrem pelo país. A corrida é uma forma de divulgar e esclarecer a população sobre este problema”.
Entre tantas participações marcantes nesta primeira corrida, é essencial registrar a presença de Maria do Carmo Ferreira, 80 anos. Ela disse que ficou sabendo do tema do evento. “Ao saber do assunto da corrida fiz questão de participar. É muito triste que ainda haja escravos no Brasil. Precisamos ajudar a divulgar este problema. A corrida foi para isso e estou feliz de poder participar e contribuir nesta luta”.
E você participou da 1ª Corrida Nacional contra a Escravidão, confira aqui e veja o resultado da sua participação.



