Após mais de três meses de deflagração da Operação Bereré, seis acusados poderão começar a responder judicialmente pelas acusações de desvios de R$ 27,7 milhões do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran/MT).
Isto por que o desembargador José Zuquim Nogueira marcou para o dia 23 de agosto o recebimento formal da denúncia contra o deputado estadual Mauro Savi (DEM), os irmãos advogados Paulo Taques e Pedro Jorge Taques e os empresários Valter José Kobori, Claudemir Pereira e Roque Anildo.
Na ocasião, os desembargadores terão que avaliar se a denúncia do Ministério Público Estadual é apta para acusá-los, se segue as exigências da legislação e descreve os crimes. Quem conduzirá este entendimento é o próprio Zuquim, que é o relator dos processos da Bereré na segunda instância. Se todos ou a maioria aceitar a denúncia, os seis poderão começar a responder judicialmente pelas acusações.
Apesar da ação penal conter quase 60 acusados, somente estes seis terão uma recebimento formal de denúncia. Isto por que Zuquim os separou da ação penal mais ampla. A exceção de Claudemir e Kobori, todos os outros "desmembrados" estão presos preventivamente por ordem do próprio desembargador.
Os quatro estão no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC) há mais três meses, quando foi deflagrada a segunda fase da Operação Bereré, chamada de Bônus. Eles tentaram diversos recursos no TJMT, Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, os pedidos foram reiteradamente negados pelos magistrados.
Na ação penal, os quase 60 réus respondem pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e fraude em licitação.
As operações investigam as irregularidades em um contrato firmado entre o Detran com a EIG Mercados Ltda., que foi contratada para fazer registros de contratos de financiamentos de veículos. De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), R$ 27,7 milhões foram desviados da autarquia. Estes valores eram repassados a EIG e retornavam como pagamentos de propina a políticos, agentes públicos e empresários. O dinheiro era então "lavado" em uma segunda empresa, a Santos Treinamento, que tinha uma parceria com a companhia.
As outras figuras denunciadas na ação são os deputados José Eduardo Botelho, José Domingos Fraga Filho, Wilson Santos, Baiano Filho, Ondanir Bortolini e Romoaldo Júnior. Também figuram como réus o ex-governador Silval da Cunha Barbosa, o ex-deputado federal Pedro Henry, o ex-presidente do Detran, Teodoro Moreira Lopes e o ex-chefe de gabinete do Poder Executivo, Sílvio Cézar Correia de Araújo.
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