Foto: Andréa Lobo/CMT
O governador Pedro Taques (PSDB) revelou que o ex-secretário de Estado de Segurança Pública, promotor de Justiça Mauro Zaque, tentou interferir na escolha para a Procuradoria Geral de Justiça de Mato Grosso
De acordo com o tucano, após a formação da lista tríplice para o cargo, em que o atual procurador-geral, Mauro Curvo, foi o mais votado pelos membros do Ministério Público Estadual, o promotor teria entrado em contato, pedindo a indicação de outra pessoa.
A revelação foi feita durante coletiva à imprensa na tarde desta terça-feira (12), no Palácio Paiaguás, após a descoberta de que Zaque denunciou Taques à Procuradoria Geral da República, por ter conhecimento por suposto esquema de “arapongagem”, em que a Polícia Militar realizava escutas telefônicas ilegais de telefones de políticos adversários do tucano.
“Os senhores se recordam que o doutor Paulo Prado quando foi escolhido por mim para ser procurador da Justiça eu escolhi no último dia da lista tríplice? Fui muito criticado por isso. É que o doutor Mauro Zaque me ligou dizendo o seguinte: que tinha sido feito um acordo entre o segundo colocado e o grupo dele que tirou o quarto lugar com a colega Ana Luiza Peterlini, e se eu poderia indicar o José Antônio Borges. Ele [Mauro Zaque] estava me parece nos Estados Unidos eu respondi que escolheria o mais votado”, afirmou.
O governador ainda citou que se sentiu ameaçado quando Zaque deixou a Sesp, em dezembro de 2015, após ter pedido a exoneração do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa,
“Se ele ficou chateado, magoado, eu não posso dizer a vocês. Agora uma coisa é certa: governador não pode aceitar chantagem de quem quer que seja, quem nomeia sou eu, quem exonera sou eu”, declarou.
“Nenhum secretário de estado ou deputado pode chegar ao Governador e dizer o seguinte: ‘faça isso, ou eu faço isso’. Não admito. É da minha personalidade. Eu ouço as pessoas. Ele disse que sairia do Governo. Então eu disse que não tinha nada pessoal e que ele deveria sair”, completou.
Acionar promotor
Conforme informações, o Zaque teve conhecimento do caso pelo ex-comandante da PM, Zaqueu Barbosa.
A “arapongagem”, de acordo com a denúncia, tinha como alvo deputados federais, estaduais, advogados e até jornalistas. A suposta quebra de sigilo telefônico ilegal era feita por meio de um esquema conhecido como “barriga de aluguel”, em que números de telefones de pessoas sem conexão com uma investigação são inseridos em um pedido judicial de quebra de sigilo telefônico.
Ainda na denúncia, o promotor Mauro Zaque teria informado que o governador tinha conhecimento dos supostos grampos ilegais, já que teria sido avisado sobre a “arapongagem” por meio de um oficio encaminhado ainda no período em que estava na Sesp.
O Governo, no entanto, garante que nunca tomou conhecimento de eventual ilegalidade e que o ofício apresentado pelo promotor foi fraudado, uma vez que o número do protocolo emitido pelo setor responsável por receber tais documentos no Palácio Paiaguás seria o mesmo que outro ofício protocolado pela Câmara Municipal de Juara, solicitando a realização de obras naquele município.
Taques revelou que a única denúncia que chegou ao seu conhecimento, diversa da que veio a público agora, foi recebida do então secretário Mauro Zaque, no dia 08 de outubro de 2015. Esta foi encaminhada ao Ministério Público Estadual (MPE) no dia 14 daquele mês, e arquivada pelo então coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), promotor Marco Aurélio de Castro, no dia 27 de outubro de 2015.
O governador disse ainda, que vai acionar Zaque na Procuradoria Geral de Justiça e ao Conselho Nacional do Ministério Público pelos crimes de falsificação de documento público, prevaricação e denunciação caluniosa.
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