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Wilson Santos defende CPI dos Consignados e denuncia “assalto” a 60 mil servidores

O deputado estadual Wilson Santos (PSD) defendeu nesta quarta-feira (15) a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso para investigar possíveis fraudes envolvendo empréstimos consignados. A manifestação ocorreu após a deflagração da Operação Fugazi, da Polícia Federal, que apura suspeitas de irregularidades no setor.

Segundo o parlamentar, mais de 60 mil servidores públicos estaduais, entre ativos e aposentados, teriam sido prejudicados por um suposto esquema financeiro. O deputado garantiu que já assinou o requerimento para a criação da CPI e que o assunto será investigado com a profundidade necessária, mesmo em meio ao período de pré-campanha eleitoral.

“Verdadeiro assalto” ao servidor

Wilson Santos subiu o tom ao classificar o caso e afirmou que a investigação precisa avançar para identificar todos os envolvidos na suposta organização criminosa.

“Mais de 60 mil servidores públicos da ativa e também da inatividade de Mato Grosso são vítimas de um verdadeiro assalto, de um estupro coletivo, onde uma organização criminosa, formada por bancos, por sociedades de crédito, por fintechs do eixo Rio-São Paulo, associada a escritórios de advocacia e agentes públicos, trabalharam de maneira, de um modus operandi criminoso, para assaltar o bolso do servidor público de Mato Grosso”, declarou de forma contundente.

A Operação Fugazi

A Operação Fugazi foi desencadeada pela Polícia Federal para desarticular um grupo suspeito de utilizar operações de crédito e cartões consignados para aplicar golpes financeiros contra servidores, aposentados e pensionistas.

A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio Grande do Sul, além de determinar o bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados. Conforme as apurações, as empresas ofereciam produtos apresentados como cartão de crédito consignado, mas que funcionariam, na prática, como empréstimos com cobrança de juros abusivos e grandes dificuldades para o encerramento das dívidas.

Suspeita de agentes públicos e endividamento

Questionado sobre a possível participação de agentes públicos no esquema, Wilson Santos foi cauteloso quanto a nomes, mas apontou para a responsabilidade estrutural do Estado, destacando que a gestão dos consignados estava ligada à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag).

“Não sei citar ainda. É claro que isso passou pela Seplag, a secretaria era a responsável por coordenar toda essa área dos consignados. O decreto de 2016 foi alterado. A lei que a Assembleia produziu em consequência da CPI dos consignados, essa lei também foi alterada”, relembrou.

O deputado também relacionou o avanço dessas operações fraudulentas ao cenário de vulnerabilidade e superendividamento dos servidores públicos, que muitas vezes recorreram ao crédito por necessidade de sobrevivência para pagar contas básicas de água, energia, plano de saúde e educação.

“Em estado de necessidade, ele acabou aderindo aos cartões, cartões estes que nunca apresentaram um contrato oficial, que estabeleceram taxas de juros entre 5% e 6% ao mês. E agora a Justiça Federal de Mato Grosso está mergulhada nesse assunto e foi ela que designou a operação de hoje”, concluiu o parlamentar.

Lucas Bellinello

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