O secretário de Saúde de Cuiabá, Luiz Antônio Pôssas, adiantou nesta terça-feira (7) que vai recorrer à Justiça caso os médicos do SUS decidam pela paralisação dos serviços. Ele disse que não há motivos concretos para a eventual greve, que será votada em assembleia amanhã (8), e falou em manobra política para desgastar a prefeitura.
“Minha especialidade [de gestão] é a greve. Se quiserem, ótimo; estarão tocando na minha especialidade. Não tenha dúvida, vamos judicializar no mesmo dia. Quando fui secretário de Justiça, teve greve do sistema penitenciário e em 48 horas acabei com a paralisação. Está na área que entendo”.
A assembleia geral foi anunciada na semana passada pelo Sindimed (Sindicado dos Médicos de Mato Grosso). Pagamento parcial do 13º salário e falta total de pagamento de plantões de fim de semana e de cobertura de férias estão dentre os motivos alegados pela categoria para a consideração de greve.
Em nota divulgada no mesmo dia do anúncio, a Secretaria de Saúde informou que o pagamento em aberto do 13º salário é referente à insalubridade, que está sendo auditada. Segundo a pasta, os valores em folha ficam “muito distorcidos” se comparados a outros meses.
“Por isso houve a necessidade de uma nova conferência, que será efetivada até a próxima semana. Assim que o processo for concluído, os pagamentos serão realizados”.
Hoje, o secretário Pôssas disse que investiga casos de profissionais que não comparecem em plantão nas datas em que estão escalados. As informações chegariam de usuários da rede pública via denúncia pelo serviço de atendimento ao público.
“Todo dia tem usuário denunciando médico que não fez plantão, que um colega deu atestado para o outro. A prefeitura está analisando todas as situações. PAD (Procedimento Administrativo Disciplinar) está sendo aberto”.
O Sindimed também aponta falta de profissionais especialistas em vários setores. A situação mais crítica seria a da pediatria que tem dez leitos abertos no pronto-socorro e nenhum médico para atendimento.