O voto útil na eleição presidencial deste ano tem relevante utilidade — perdoem, caros leitores, a explícita redundância.
Este jargão remete à escolha pelo eleitor de um político com reais chances de ser eleito para receber o voto, em prejuízo do candidato preferido, quando este não deslancha nas pesquisas. Trata-se de um voto estratégico: sabendo que o seu preferido será derrotado, ajuda a eleger o que considera menos ruim.
Funciona assim: os candidatos A e B estão bem colocados nas pesquisas. Digamos com cerca de 38% das preferências cada um (qualquer semelhança com o momento atual não é coincidência). Mas o predileto do nosso eleitor, nunca passou de 6% em todas as sondagens anteriores. Ou seja, teoricamente, vai perder a eleição.
Entretanto o personagem deste texto tem especial ojeriza ao candidato A, que eventualmente pode ganhar do concorrente B (o menos ruim para ele, eleitor) no segundo turno. Então, mesmo preferindo o postulante C, ele vota no B, para tentar derrotar, já no primeiro turno, o A, que lhe parece intragável.
Transportando para a disputa atual: Flávio Bolsonaro e Lula estão oscilando, ora para um lado, ora para outro, com uma diferença pequena de dois a quatro pontos percentuais. Na sequência aparecem Augusto Cury com 6%, Ronaldo Caiado e Renan Santos com 4% e outros com 1%.
Aqui entra a praticidade do voto útil. Considerando que somente Lula e Flávio no final disputarão o cargo, os eleitores do Caiado, Renan e Cury, votando em um dos dois primeiros, contribuirão para, eventualmente, encerrar o pleito já no primeiro turno. Esta tendência começa a aparecer nas pesquisas, os líderes ganharam 1% cada, o terceiro e o quarto perderam o mesmo tanto.
Se confirmado este viés seremos poupados de ouvir as leviandades do Flávio e as mentiras do Lula, repetidas durante o intervalo entre uma votação e outra.
Além disso evitaremos outras “bondades” do Lula, que no desespero de ganhar a eleição, aumentou em 15% o Bolsa Família, tal qual Jair Bolsonaro fez em 2022.
Claro que os candidatos minoritários detestam a ideia do voto útil, e os postulantes que estão liderando também não a divulgarão para não melindrar os concorrentes. Em eventual segundo turno, podem precisar do apoio dos que ficaram pelo caminho.
Portanto, se você prefere o Augusto Cury (só tem 6%) e rejeita o Lula, vote no Flávio, que tem chance, ainda que pequena, de encerrar a disputa já no primeiro turno.
Se, por outro lado, é admirador do Caiado, que não passa de 4%, e repudia o Flávio; escolha o Lula. De repente ele consegue liquidar a fatura em quatro de outubro.
Esquecendo o Zema, o Caiado, o Cury e o Renan em benefício do Lula ou do Flávio, haverá algumas vantagens: evitamos o gasto de dinheiro nas campanhas presidenciais, livramo-nos dos discursos chatos de um e de outro, da necessidade de voltar às urnas em muitos estados e, principalmente, estancamos o desperdício da grana da viúva, que o Lula, generoso como é, distribui para o povo. Ele já esbanjou 270 bilhões para garantir o quarto mandato e vai gastar mais.
Renato de Paiva Pereira.


