A política de enfrentamento à violência doméstica em Mato Grosso precisa sair do “piloto automático” das datas comemorativas. Esse é o diagnóstico contundente da vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Rosa, que em tom de desabafo neste início de abril de 2026, expôs a ferida aberta da nossa sociedade: a atenção seletiva.
A Armadilha do Calendário
Para Vânia, as campanhas de Março e o Agosto Lilás tornaram-se momentos isolados de visibilidade para um problema que não tira férias. Enquanto a sociedade foca no “Março das Mulheres”, o estado viu cinco vidas serem ceifadas pelo feminicídio no mesmo mês.
“A gente tá só cuidando dos mortos e feridos. Trabalhar só a penalidade e tratamento para com a vítima nunca foi prevenção e nunca vai ser”, afirma.
O Pilares da Mudança Estrutural
Através do projeto “Do Silêncio Privado à Voz Pública”, a vice-prefeita tenta levar às universidades o que considera a base de qualquer solução real:
- Educação Emocional: Tratar conflitos de separação como crises que exigem equilíbrio, não violência.
- Filtro da Mente: Identificar sinais abusivos antes que se tornem agressões físicas.
- Diálogo Jovem: Formar a nova geração sob uma cultura de respeito mútuo.
O Desafio da Estrutura
Mesmo operando com recursos limitados de gabinete e orçamento restrito, a iniciativa de Vânia Rosa busca preencher o vácuo deixado pela falta de políticas públicas contínuas. A proposta central é clara: se a violência acontece todos os dias, a conscientização deve ser o oxigênio da gestão pública, e não um acessório de marketing sazonal.


