A rosca macia, frita e quase sempre recheada com creme de confeiteiro pode até parecer um donut mais purista, para amantes de doces desavisados, mas é tradição italiana pura em forma de sobremesa. Apesar da origem incerta, para os napolitanos, as “zeppole di San Giuseppe” (São José) têm origem nos mosteiros de Santa Patrícia e São Gregório, em Nápoles, na Itália.
Para os sicilianos, o doce nasceu em homenagem ao santo, após ele ter salvado a população de uma grande seca na Idade Média.
Uma versão ainda anterior afirma que era feita na Roma Antiga como oferenda aos deuses do trigo e do vinho.
Um dos primeiros registros de receita da zeppola, escrita em napolitano, data de 1837 e está no livro Cucina Teorico-Pratica, de Ippolito Cavalcanti.
Independentemente da origem, uma verdade é certa: o doce típico italiano precisa ter formato de rosca, deve ser composto por massa choux, ser frito e estar recheado com creme.
Na Itália, o doce é feito em grande quantidade para celebrar a data em homenagem ao santo católico São José – dia 19 de março.
Curiosamente, também é o Dia dos Pais no país da bota. Logo, a zeppola, por lá, também é o doce extraoficial dos pais.
“A zeppola carrega história e muitas memórias, especialmente para quem tem ligação com a cultura italiana. Poder manter essa tradição viva e compartilhar isso com as pessoas é muito especial”, diz Eduardo Almeida Simone, chef e fundador da Qui o Qua.
De fato, é muita história e gostosura. Roberta Ferraro, chef confeiteira da Dulca, destaca que, “segundo a lenda, oferecer zeppole aos amigos traz boa sorte. É um símbolo de afeto e acolhimento”. Verdade ou não, não custa tentar, não é mesmo?
Agora, vamos à parte ainda melhor: descobrir onde comê-la.
Além de servir no tradicional Dia de São José, que foi na quinta-feira, 19, muitos deixam o doce em cartaz durante o mês inteiro de março.
Nas nossas dicas abaixo, há casos em que a delícia pode estar à disposição por todo o ano.
Dulca
Na Dulca, a rosca frita polvilhada com açúcar e canela pode vir da forma tradicional coberta com creme de baunilha (R$ 20) ou finalizada com cereja amarena (R$ 23). Há 30 anos com a mesma receita, ela aparece nas vitrines da loja apenas nesse período do ano e, desta vez, e ficou disponível só até o domingo, dia 22.
O que Roberta Ferraro mais adora na zeppola é a expectativa de fazê-la e comê-la todos os anos. “A gente come sem culpa, porque sabe que vai demorar para comer de novo”, diz.
Tre Bimbi
Na Tre Bimbi, a zeppola aparece todo dia 19 de cada mês ao longo do ano inteiro. Por lá, é finalizada com uma calda leve de mel, castanha-decaju triturada e cereja amarena. Outra opção é a recheada com creme de confeiteiro de pistache. Ambas as versões saem a R$ 24,90 a unidade.
Fernanda Jimenez, fundadora da Tre Bimbi, conta que o que mais gosta nas zeppole é “sentir o contraste da massinha crocante, frita na hora, com um crème pâtissière leve e bem aveludado”.
Qui o Qua
Parte da família de Eduardo Almeida Simone, chef e proprietário da Qui o Qua, é de Polignano a Mare, na Puglia, e o avô dele comprava zeppole todo Dia de São José, mesmo após se mudar para o Brasil. Por isso, todo mês de março desde a abertura, tem zeppole por lá.
Com a massa frita coberta por creme de confeiteiro e finalizada com amarena no topo, polvilhada com açúcar de confeiteiro, este ano a iguaria ficou disponível só até o domingo, dia 22, pelo valor de R$ 19. A caixinha com quatro sai por R$ 69.
Il Pastaio
Em comemoração do Dia de São José, a rotisseria Il Pastaio apresentou só na quinta-feira, 19, o doce típico na sua versão clássica de creme e frita (R$ 19), mas também criou uma versão para ficar disponível durante o ano todo, em que a massa choux é assada e finalizada com açúcar de confeiteiro na hora (também por R$ 19).
Di Cunto
O ano inteiro a Di Cunto serve doces típicos italianos, inclusive a zeppola (R$ 25). Ela vem recheada de creme de confeiteiro e, por fora, tem mel de flor de laranjeira e castanhas picadas.


