O agente da Polícia Federal Wladimir Matos Soares, um dos 34 nomes denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, enviou áudios a colegas referindo-se ao plano de assassinato de autoridades conhecido como “Punhal Verde e Amarelo”.
“Eles estavam com Moraes na mira para atirar”, afirmou o policial em gravação obtida pela CNN Brasil. O processo corre sob sigilo.
Matos Soares é um dos implicados no plano de execução de autoridades públicas como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do STF Alexandre de Moraes. O agente foi um dos cinco alvos da Operação Contragolpe, deflagrada pela PF em 19 de novembro no ano passado, e segue preso preventivamente desde então.
O plano de assassinatos pretendia criar forte comoção nacional para que, em seguida, fosse criado um gabinete de crise, segundo apurado pelos investigadores. A ação contaria com o apoio de “kids pretos”, como são chamados os militares das Forças Especiais do Exército Brasileiro.
PLANO
O “Punhal Verde e Amarelo” previa assassinatos e sequestros, além de utilizar codinomes como referência aos alvos. Moraes era a “professora”, Lula, o “Jeca”, e Alckmin, o “Joca”. Uma quarta vítima, apelidada de “Juca”, foi descrita pelo planejamento como “eminência parda do futuro governo”, mas não chegou a ser identificada pela PF.
POSSE
Matos Soares foi um dos agentes da PF escalados para trabalhar durante a posse de Lula em 1º de janeiro de 2023. A investigação apontou que o agente forneceu informações sobre o evento aos golpistas.
A PF também constatou que Matos Soares realizou o monitoramento de integrantes da equipe de segurança do presidente eleito. Em depoimento, ele afirmou que foi “convidado” a realizar a segurança do Palácio do Planalto e de Jair Bolsonaro caso o então mandatário “não entregasse a faixa presidencial”.
Mensagens do agente interceptadas pela investigação da PF apontam que Matos Soares estava disposto a aderir à ruptura institucional tão logo houvesse a “canetada”. “Eu e minha equipe estamos com todo equipamento pronto para ir ajudar a defender o palácio e o presidente (Bolsonaro). Basta a canetada sair”, disse o policial federal em uma mensagem de texto.


