Em Mato Grosso, três em cada dez mulheres vivenciaram, nos 12 meses anteriores à pesquisa, ao menos uma situação concreta de violência doméstica ou familiar, mas não reconheceram espontaneamente a experiência como violência. O índice de 29% foi apontado pela atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, com dados da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em 2025. O percentual é semelhante ao registrado no país e está dentro da margem de erro da estimativa nacional.
O levantamento também mostra que 33% das mato-grossenses já sofreram violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida. Nos 12 meses anteriores à pesquisa, 14% declararam ter sido vítimas. Entre aquelas que relataram violência provocada por um homem, 88% mencionaram violência psicológica, 84% física e 70% moral. Em 59% dos casos, o agressor era o marido ou companheiro da vítima no momento da agressão.
Entre as situações mais graves, 59% das entrevistadas disseram que o agressor estava com ciúmes, enquanto 52% afirmaram que ele estava inconformado com o término ou tentativa de término do relacionamento. Em 43% dos relatos, o homem estava bêbado. A violência também provocou impactos na rotina: 72% das vítimas disseram ter sido afetadas no dia a dia, 68% no convívio com outras pessoas, 45% nos estudos e 43% na vida profissional ou no trabalho remunerado.
O levantamento aponta ainda dificuldades no conhecimento sobre os mecanismos de proteção. Embora 97% das mato-grossenses conheçam ou já tenham ouvido falar da Defensoria Pública e 93% da Delegacia da Mulher, 70% afirmam conhecer pouco a Lei Maria da Penha e 8% dizem não conhecer nada sobre a legislação. Em relação às medidas protetivas, 69% relatam ter pouco conhecimento e 15% afirmam desconhecê-las.
A pesquisa também indica que 82% das mulheres ouvidas em Mato Grosso perceberam aumento da violência doméstica e familiar contra as mulheres nos 12 meses anteriores ao levantamento. A Defensoria Pública foi o serviço de proteção mais conhecido, seguida pela Delegacia da Mulher, pelo CRAS ou CREAS e pelo Ligue 180. Além disso, 73% afirmaram conhecer alguma amiga, familiar ou pessoa próxima que já sofreu violência doméstica ou familiar.
No Brasil, o levantamento aponta uma diferença ainda maior entre a violência vivenciada e aquela reconhecida espontaneamente pelas vítimas. Das mulheres que sofreram violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa, 29% relataram situações concretas sem identificá-las espontaneamente como violência. O Mapa Nacional da Violência de Gênero, mantido pelo Observatório da Mulher contra a Violência, Instituto Natura e Gênero e Número, busca evidenciar essa lacuna e ampliar a compreensão sobre a dimensão do problema para além dos registros oficiais.


